Tramita na Assembleia Legislativa um projeto de lei que cria o programa de ‘repeixamento’ na barragem da Usina Hidrelétrica do Manso. Proposta pelos deputados Elizeu Nascimento (União) e Janaína Riva (MDB), a matéria foi aprovada em primeira votação na sessão desta quarta-feira (16).
Janaina comenta que a proposta visa resgatar o equilíbrio socioambiental no Lago do Manso, com a reinserção de espécies de peixes nativos da região que se perderam nos últimos anos. Além disso, é uma forma de controlar a população de piranhas, que se instalou no local. Nas últimas semanas, tem aumentado o número de banhistas que foram atacados pelo peixe.
A deputada ainda aponta que a empresa Furnas não cumpriu com suas obrigações após a construção da usina de Manso, entre as quais está a instalação de um laboratório de alevinos na região.
“A nossa preocupação é que hoje a Furnas controla 100% e não cumpre com seu papel social, ao contrário, está baixando cada vez mais o nível do lago e isso trouxe um prejuízo gigante para quem investe ali”, disse.
O Programa prevê introduzir espécies de peixes nativas da bacia hidrográfica no reservatório da Usina, promovendo o reequilíbrio da fauna. Entre as espécies citadas estão: dourado, pintado, cachara, piraputanga, pacu, jaú, jurupensém, curimbatá e matrinxã.
Janaina disse que o governo pode pegar como exemplo a ação que foi realizada no estado de Goiás, que também realizou a soltura da espécie tucunaré para controle das piranhas. O tucunaré é um predador natural das piranhas, assim como o dourado e o surubim.
“Em Goiás, que é um lago muito menor, eles colocaram 1 milhão de tucunarés dentro do lago, que é um peixe predador da piranha. Então você vê que tem alternativas para você equilibrar essa questão”, disse.
A deputada explica que os constantes ataques de piranhas ameaçam a subsistência dos empresários que fizeram investimentos no local, especialmente aqueles que dependem do fluxo de turistas na região.
“Hoje o Lago do Manso, não é apenas um lago de Furnas. Ali a gente tem vários investimentos, empresários, geração de renda, emprego, tem muito a oferecer para sociedade. Hoje, do jeito que está, principalmente para aqueles que fazem um turismo mais econômico, é um risco você ficar na praia, porque é onde existe a proliferação, os ninhos de piranhas”, disse.
O presidente da Associação Pró-Manso, Paulo Martins, também comentou sobre a falta de peixes de outras espécies na região. Segundo eles, pescadores só têm conseguido fisgar piranhas no local, mesmo usando iscas para outras espécies.
“Hoje você vai pescar no lago com massinha, que é para pegar pacú, peixes que não são piranhas, mas você acaba pegando piranha, você fica uma hora você pega 20 piranhas de palmo”, afirmou.
Fonte: Estadão MT


