Rebeldes derrubam estátua de Hafez al-Assad na Síria. Veja vídeo:

Na última quinta-feira (05/12), rebeldes tomaram a cidade de Hama, após a retirada do exército sírio. Eles derrubaram a estátua de Hafez al-Assad. Rebeldes e moradores filmaram a ação enquanto celebravam, e registraram o momento em vídeo. A derrubada do monumento é um gesto simbólico de resistência contra o regime al-Assad, que permanece no poder desde a década de 1970. A ação reflete a oposição crescente ao governo de Bashar al-Assad, filho de Hafez al-Assad.

A tomada de Hama e a derrubada do monumento

A queda da estátua de Hafez al-Assad em Hama ocorre em um contexto de crescente poder dos rebeldes sírios na região. Após a retirada das tropas do governo, os rebeldes conseguiram tomar o controle total da cidade. As pessoas que estavam no local comemoraram a ação, vendo nela a oportunidade de reafirmar a resistência ao regime do atual presidente, Bashar al-Assad.

O vídeo que circula nas redes sociais mostra um grupo de rebeldes empurrando a estátua de Hafez al-Assad, enquanto ao fundo se ouvem gritos de celebração. A destruição do monumento se insere em uma série de movimentos que visam deslegitimar a imagem dos Assad e seus legados. Hafez al-Assad, que governou a Síria de 1971 até sua morte, em 2000, é um símbolo da repressão política, e sua figura ainda é central no poder político e militar do país.

O legado de Hafez al-Assad e a repressão em Hama

Hafez al-Assad teve uma longa carreira política marcada por sua tentativa de transformar a Síria em uma potência no mundo árabe. No entanto, críticos amplamente condenaram seu governo pela repressão interna e pelo uso de força militar para conter qualquer oposição. O episódio mais notório foi a repressão violenta da rebelião em Hama, em 1982. Durante este período, o regime de Hafez ordenou um cerco brutal à cidade, resultando na morte de cerca de 20.000 pessoas, segundo estimativas, e quase destruindo completamente a cidade. Esse episódio marcou a história da Síria, criando uma memória de terror e repressão que ainda persiste nas tensões políticas atuais.

A repressão em Hama é uma das cicatrizes mais profundas do legado de Hafez al-Assad e, provavelmente, um dos motivos pelos quais a cidade se tornou um símbolo de resistência contra o regime. A derrubada da estátua de Hafez al-Assad representa um ato de vingança histórica contra a violência que a cidade sofreu.

O avanço dos rebeldes e a crise atual na Síria

A derrubada da estátua acontece em um momento crucial da guerra civil síria, que continua a devastar o país. Nos últimos dias, a situação no campo de batalha se intensificou, com rebeldes avançando para outras cidades, incluindo Aleppo, tomada após uma ofensiva relâmpago. Esse avanço rebelde, impulsionado principalmente por grupos dissidentes contra o regime de Bashar al-Assad, trouxe uma nova onda de incerteza para a Síria. As vitórias rebeldes aumentaram as tensões e a instabilidade no país. O controle de áreas chave está mudando rapidamente, o que torna a situação ainda mais imprevisível.

O conflito interno na Síria começou em 2011 com manifestações contra o regime de Bashar al-Assad e rapidamente se transformou em uma guerra civil sangrenta. Desde o início da guerra, facções como curdos, jihadistas e forças moderadas enfrentam as tropas leais a Assad, que recebem apoio de aliados como Rússia e Irã. Enquanto isso, o governo sírio tenta recuperar áreas perdidas para os rebeldes. No entanto, as vitórias dos opositores são mais evidentes, como a queda de Aleppo e a recente tomada de Hama. As forças de Assad enfrentam uma resistência crescente, com os rebeldes avançando em várias frentes. A situação no país continua a se desestabilizar, apesar dos esforços do governo.

O futuro da Síria e o impacto do conflito

O futuro da Síria continua incerto, com um país dilacerado pela guerra e as cicatrizes do passado de Hafez al-Assad ainda presentes. A derrubada da estátua de Hafez al-Assad é mais do que um símbolo da vitória de um grupo rebelde; ela representa uma rejeição do autoritarismo e da repressão que marcaram o governo de seu filho Bashar. Este ato de resistência pode ser um reflexo do crescente descontentamento com o regime, que parece cada vez mais vulnerável às ações de grupos opositores.

Enquanto isso, a crise humanitária na Síria continua a piorar, com milhões de pessoas deslocadas e milhares de mortos em decorrência da guerra. A comunidade internacional observa o conflito de perto, mas as soluções diplomáticas ainda parecem distantes. O controle da cidade de Hama e o avanço dos rebeldes indicam uma possível mudança no equilíbrio de poder no país, mas ainda é cedo para prever os desdobramentos de uma guerra que já dura mais de uma década.

Lucas

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