Comunidades do Quilombo Abolição se mobilizam neste domingo (2) para visitar e limpar túmulos no cemitério Garimpo/Lajinha, que fica dentro de uma fazenda em Santo Antônio do Leverger, a 35 km de Cuiabá. As famílias afirmam que só conseguem prestar homenagens no Dia de Finados, porque dependem da autorização dos proprietários para entrar no local. Neste ano, um grupo de 15 pessoas alugou uma van para realizar o muxirum, que significa mutirão de limpeza, e aguarda liberação.
Quilombolas organizam muxirum e relatam barreiras de acesso
Os moradores planejaram a ida com antecedência, contrataram transporte e levaram ferramentas para capinar, retirar entulhos e repintar cruzes. Eles relatam que não receberam autorização até a manhã deste domingo. As famílias defendem que o cemitério abriga antepassados e guardam memória coletiva, por isso pedem acesso seguro e previsível. Elas afirmam que perdem prazos de manutenção quando a liberação chega em cima da hora.
Produtores rurais contestam exclusividade étnica do uso
A Associação dos Produtores Rurais da Serra de São Vicente informou, em nota, que reconhece o cemitério Chico Rifa como espaço comunitário de uso antigo. A entidade sustenta que moradores, trabalhadores rurais e famílias vizinhas utilizam o local há décadas, sem vínculo étnico exclusivo. A associação afirma que não recebeu pedido formal de exclusividade e que mantém diálogo para evitar conflitos. As famílias quilombolas, por sua vez, defendem o direito de manter ritos, preservar histórias e visitar sepulturas com regularidade.
Prefeitura anuncia equipe para avaliar situação no local
A prefeitura de Santo Antônio do Leverger comunicou que organiza uma equipe para ir ao ponto e fazer um estudo. O município afirma que vai ouvir moradores, produtores e lideranças, mapear as áreas e identificar caminhos jurídicos e operacionais para garantir visitas em datas de grande fluxo, como Finados, e em períodos de manutenção. As famílias pedem cronograma fixo de acesso e sinalização de rotas internas para evitar novos impasses.
Memória, fé e segurança jurídica entram em pauta
As lideranças quilombolas defendem que ritos de limpeza e oração preservam a memória e fortalecem vínculos. Produtores citam responsabilidade civil sobre a área e pedem regras claras para visitas, com horários definidos e controle de entrada. O município promete mediar a conversa e construir solução que una segurança, conservação e respeito às tradições.
Perguntas frequentes:
O proprietário da área define a entrada enquanto não houver acordo formal.
A prefeitura promete enviar equipe e apresentar estudo com alternativas de acesso.
As famílias querem calendário de visitas, regras claras e manutenção regular do cemitério.
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