Na manhã desta quinta-feira (15), um protesto na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) contra cortes em bolsas estudantis terminou em confusão e confrontos entre estudantes e funcionários. A manifestação ocorreu em resposta ao Ato Executivo de Decisão Administrativa (AEDA 038/2024), que alterou os critérios de elegibilidade para bolsas de estudo, afetando milhares de alunos, especialmente os em situação de vulnerabilidade social. A medida, que entrou em vigor no início de agosto, tem sido duramente criticada por estudantes, que a apelidaram de “Aeda da Fome”, devido ao impacto negativo que ela gera sobre o sustento de cerca de 5 mil bolsistas.
Estudantes bloqueiam acessos à UERJ
Logo nas primeiras horas do dia, estudantes fecharam os acessos ao campus da UERJ, impedindo a entrada de professores, funcionários e outros alunos. O protesto principal se concentrou próximo ao Portão 5 da universidade, onde os manifestantes ergueram barricadas com mesas e bancos, bloqueando o hall de acesso aos elevadores e outras áreas cruciais do campus.
A tensão aumentou quando funcionários da universidade tentaram ultrapassar as barricadas para acessar suas áreas de trabalho. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram momentos de tumulto e violência, com confrontos diretos entre os manifestantes e os funcionários, o que intensificou o clima de hostilidade no local.
A origem do protesto: O AEDA 038/2024
A insatisfação dos estudantes gira em torno do AEDA 038/2024, que impôs novas regras para a concessão de bolsas estudantis. A medida afeta diretamente alunos em situação de vulnerabilidade social, que, mesmo não ingressando pelo sistema de cotas, haviam comprovado sua necessidade de apoio financeiro. Com as novas diretrizes, esses alunos afirmam que estão sendo excluídos do programa de bolsas, o que compromete seriamente suas condições de continuar os estudos.
Estudantes argumentam que o corte nas bolsas prejudica a permanência acadêmica daqueles que dependem desse auxílio para cobrir despesas básicas, como alimentação e transporte. O apelido “Aeda da Fome” reflete a percepção de que, sem as bolsas, muitos alunos não têm como se sustentar adequadamente enquanto estudam. Além disso, os manifestantes alegam que a universidade está ignorando as necessidades sociais de uma parcela significativa do corpo discente.
Reitora da UERJ entra em cena para negociar
Diante da escalada do conflito, a reitora da UERJ foi acionada para tentar negociar com os manifestantes e buscar uma solução para o impasse. Até o momento, não houve um acordo formal, mas a administração da universidade sinalizou estar aberta ao diálogo, visando revisar alguns pontos do AEDA 038/2024. No entanto, a reitora enfatizou que qualquer mudança depende de uma análise mais profunda do impacto financeiro e administrativo que a revisão pode causar.
Enquanto as negociações continuam, a universidade permanece em estado de alerta. Os estudantes mantêm a pressão por mudanças, organizando novos atos e se mobilizando nas redes sociais para atrair mais atenção à causa.
Impacto do AEDA 038/2024 e possíveis consequências
O governo implementou o AEDA 038/2024 no início de agosto, uma medida de austeridade que afeta diretamente os alunos mais vulneráveis da UERJ. A nova política de bolsas deve prejudicar cerca de 5 mil estudantes, muitos dos quais dependem totalmente do apoio financeiro para permanecer na universidade. A medida exclui, em grande parte, os alunos que não entraram pelo sistema de cotas, mas que, ao longo do tempo, comprovaram sua vulnerabilidade socioeconômica.
Com a implementação do AEDA, esses estudantes ficam à mercê de uma situação de insegurança, sem garantias de que conseguirão continuar seus estudos. Isso cria um cenário preocupante para a UERJ, que sempre se destacou por suas políticas inclusivas e pelo papel que desempenha na promoção da educação pública de qualidade no Rio de Janeiro.
O protesto desta quinta-feira na UERJ é um reflexo da insatisfação generalizada entre os estudantes que dependem das bolsas estudantis para garantir sua permanência na universidade. O confronto com funcionários e a escalada de tensão mostram o grau de frustração dos alunos com as mudanças impostas pelo AEDA 038/2024.
Embora a reitora da universidade tenha sinalizado a disposição para dialogar, o futuro das bolsas e dos estudantes afetados ainda é incerto. A comunidade estudantil continua as manifestações, mostrando que não pretende recuar até atenderem suas demandas e tomarem medidas concretas para garantir a permanência dos estudantes que mais precisam de apoio financeiro.




