“Proibido sujar”: Guardas imperiais da dinastia Ming agora patrulham ruas da China com uma missão inusitada; veja vídeo

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Em Nanchang, na China, trabalhadores da limpeza vestem trajes típicos da dinastia Ming e patrulham as ruas ao redor do Palácio Wanshou com um objetivo bem diferente do esperado. Eles não estão ali para proteger o imperador, mas para recolher o lixo deixado pelos turistas. A cena inusitada viralizou nas redes sociais e transformou a limpeza urbana em atração turística.

Os “guardas” utilizam longas pinças que lembram espadas e usam trajes de oficiais da dinastia Ming. Eles se autodenominam “御钳侍卫” (Yu Qian Shi Wei), que significa algo como “guardas imperiais da pinça” . O visual remete aos tempos imperiais, mas a função é totalmente moderna: manter o palácio e seus arredores livres de sujeira.

O Palácio Wanshou fica em uma ilha no centro do Lago Xianghu. A arquitetura do local segue o estilo Gan do final da dinastia Qing, com tijolos azuis, telhas cinzas e beirais curvados para cima, exalando o charme antigo da velha Nanchang .

A ideia que deu certo

A iniciativa surgiu como uma forma criativa de aliar a preservação do patrimônio histórico à conscientização ambiental. Os trabalhadores da limpeza ganharam um novo visual e também uma nova missão: interagir com os visitantes de forma lúdica enquanto fazem seu trabalho habitual.

O resultado superou as expectativas. Os “guardas imperiais” viraram atração à parte. Turistas param para tirar fotos, crianças se encantam com as fantasias e muitos sequer percebem de imediato que aqueles personagens históricos estão, na verdade, catando lixo.

A estratégia usa o humor e a criatividade para comunicar uma mensagem séria. Em vez de placas de “não jogue lixo”, os visitantes se deparam com guardas imperiais que recolhem cada papel e cada garrafa deixada para trás. O constrangimento de ser “flagrado” por um oficial da dinastia Ming acaba sendo mais eficiente que qualquer multa.

Caça ao tesouro do lixo

O projeto foi além do visual dos garis. O Palácio Wanshou criou uma atividade interativa chamada “Caça ao Tesouro do Lixo” . Os visitantes recebem sacolas e luvas e participam da coleta de resíduos pela área.

Quem completa a missão ganha pequenos souvenirs temáticos. A brincadeira educa crianças e adultos sobre reciclagem e preservação ambiental de forma leve e divertida . Pais e filhos se envolvem na tarefa, e o palácio vira uma sala de aula ao ar livre.

A ideia já inspirou outros pontos turísticos na China. Combinar tradição cultural com conscientização ambiental provou ser uma fórmula que atrai público e cumpre uma função social importante.

O visual que chama atenção

Os uniformes não são meras fantasias baratas. Eles reproduzem com fidelidade as roupas dos guardas imperiais da dinstia Ming, incluindo os chapéus característicos e as vestes bordadas .

As pinças que carregam são propositalmente alongadas para lembrar espadas. Quando um gari se abaixa para pegar um papel, o movimento lembra o de um guerreiro sacando sua arma. A analogia é intencional: eles são guerreiros na batalha contra a sujeira.

Os visitantes podem encontrar os “guardas” em pontos estratégicos do palácio e também circular pelas ruas do entorno. A presença deles virou garantia de fotos criativas e vídeos para as redes sociais.

Os “guardas” recebem treinamento especial?

Sim, os trabalhadores passam por um treinamento básico de interpretação para interagir com os turistas. Eles aprendem a usar o visual de forma lúdica sem perder a eficiência na limpeza.

Os turistas podem tirar fotos com os guardas?

Podem e devem. A interação é incentivada. Os “guardas” posam para fotos e até fazem pequenas encenações, mas sem interromper o trabalho de coleta de lixo.

A iniciativa já se espalhou para outras cidades chinesas?

Sim, outros pontos turísticos na China começaram a adotar ideias semelhantes. O sucesso em Nanchang inspirou projetos que unem preservação cultural e conscientização ambiental em Pequim, Xangai e outras cidades históricas.

Fabíola Maria Costa Silva

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