A prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode respingar em figuras influentes do país. Quem faz essa avaliação é o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (PSB). Durante entrevista à imprensa nesta quarta-feira (04.03), ele comentou os desdobramentos da operação que prendeu o empresário .
Russi afirmou que o caso envolve setores poderosos da economia brasileira. Para ele, as investigações da Polícia Federal tendem a alcançar nomes relevantes da política nacional. “Deve ter, deve ter político no meio. Mas é o sistema bancário. São os grandes players econômicos do Brasil que estão envolvidos”, declarou. O deputado também parabenizou a decisão judicial que resultou na prisão. Ele disse que a população espera punição para crimes de grande impacto. “A população não quer que prenda só ladrão de galinha, ela quer o colarinho branco, quer os grandes dentro da cadeia”, afirmou.
Conexões políticas dos dois lados
Apesar de rejeitado pelos pares da Faria Lima, Vorcaro cultivava relações poderosas em Brasília. Suas conexões políticas atravessavam diferentes espectros ideológicos. O banqueiro mantinha trânsito com ministros do governo Lula e também com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro . Para fortalecer sua imagem, ele montou um “comitê de notáveis” que incluía ex-presidentes do Banco Central, como Henrique Meirelles e Gustavo Loyola. Essas relações foram apontadas como fundamentais para a ascensão meteórica do Master .
O banqueiro mantinha ligações pessoais com o senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e com Antonio Rueda, presidente do União Brasil . A tentativa de venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal, também evidenciou essas conexões. O governador Ibaneis Rocha defendeu publicamente o negócio em diversas ocasiões .
O que dizem os investigados
Daniel Vorcaro nega qualquer crime. Em depoimento à Polícia Federal, ele afirmou que o Banco Master era solvente. Segundo ele, a crise foi de liquidez, provocada por mudanças regulatórias e ataques reputacionais . A defesa alega que as operações com o BRB foram técnicas e auditadas. Também sustenta que a participação acionária no banco de Brasília estava devidamente registrada em sua holding. A defesa de Vorcaro informou que o cliente está disposto a cooperar com as autoridades .
A Reag Investimentos, empresa que mantinha laços estreitos com o Master, afirmou que tem colaborado integralmente com as investigações. Em nota, a empresa disse fornecer informações, documentos e acesso aos seus sistemas sempre que solicitado . O BRB informou que encontrou achados relevantes em uma investigação independente e comunicou os detalhes para as autoridades .
Curiosidades sobre o caso
A prisão desta quarta-feira (04.03) é a segunda dele .
O banco pegou um empréstimo emergencial de quase R$ 4 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para tentar equilibrar as contas .
Além de Vorcaro, a Operação Compliance Zero prendeu o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Master. A terceira fase da operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva .








