Três postos de combustíveis que utilizam a marca “Posto Corinthians” estão registrados em endereços associados a empresários investigados na Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação já realizada contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação, deflagrada em agosto, apura um esquema bilionário de lavagem de dinheiro por meio de empresas de combustíveis em vários estados do país.
De acordo com informações oficiais, os postos localizam-se na Zona Leste de São Paulo e aparecem na base da Agência Nacional do Petróleo (ANP) como de bandeira branca — ou seja, sem vínculo com grandes distribuidoras. Os endereços pertencem a empresas ligadas a alvos diretos da investigação, que apura movimentações suspeitas de recursos e possíveis conexões com o crime organizado.
Corinthians nega envolvimento direto
Procurado, o Corinthians declarou que não administra diretamente os postos. Segundo o clube, a marca foi licenciada a uma empresa que intermedia contratos com os donos das unidades. O clube também informou que acompanha o caso de perto e que poderá adotar medidas jurídicas, caso alguma irregularidade seja comprovada.
Os contratos de sublicenciamento, válidos até novembro de 2025, permitem o uso do nome e da identidade visual do Corinthians em troca de pagamento de royalties. A iniciativa surgiu em 2021 como forma de diversificar as receitas do clube, que divulgou oficialmente as inaugurações em seu site institucional.
Mesmo sem citação direta na operação, a associação involuntária do nome do Corinthians a uma investigação dessa magnitude gerou desconforto interno e preocupação com eventuais danos à imagem da instituição.
O que é a Operação Carbono Oculto
A investigação da Polícia Federal apura uma ampla rede de empresas de fachada usadas para lavar dinheiro e fraudar o comércio de combustíveis em pelo menos quatro estados. Estima-se que o grupo movimentou cerca de R$ 8 bilhões, utilizando postos fictícios e triangulação de recursos para mascarar a origem ilícita dos valores.
Os alvos da operação são suspeitos de integrar um braço financeiro do PCC, que usava os negócios como forma de escoar dinheiro do tráfico e de outras atividades ilegais. A descoberta dos vínculos entre os postos licenciados e os investigados trouxe uma nova camada de complexidade ao caso.
Possíveis impactos e próximos passos
Com a revelação, o Corinthians deve revisar seus contratos de licenciamento e reforçar seus mecanismos de compliance, evitando novos riscos reputacionais. O episódio levanta uma discussão mais ampla sobre o uso de marcas esportivas em empreendimentos comerciais e a responsabilidade das instituições em fiscalizar seus parceiros.
Perguntas e respostas
Não, desde que não tenha participação ou omissão comprovada.
Porque o setor facilita movimentações financeiras e é difícil de fiscalizar.
Sim, mas com contratos mais rigorosos e maior controle sobre os parceiros.






