Após o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) anunciar em suas redes sociais a realização de retomadas de lotes em Itanhangá, a população local se reuniu ontem, dia 24 de julho, na Praça União da Vitória, para protestar contra a ação. Em um evento marcado por forte comoção e revolta, os moradores expressaram de maneira enfática: “NÃO À RETOMADA DE LOTES EM ITANHANGÁ”.
O INCRA realizou um sorteio para definir os lotes que serão retomados, uma ação que foi amplamente criticada pelos habitantes do município. Muitos dos atuais ocupantes das terras estão lá há mais de 25 anos. Eles foram os responsáveis por limpar, preparar e tornar essas terras produtivas, gerando alimentos e contribuindo significativamente para a economia local. Hoje, essas terras são extremamente valorizadas, valendo milhões, e a perspectiva de retomada atrai muitas pessoas ao município.
O Prefeito Edu Pascoski fez um pronunciamento no evento, alertando sobre as graves consequências dessa ação para a cidade. Ele destacou o risco de colapso dos serviços públicos com a chegada de mais de 900 famílias, conforme mencionado nas redes sociais. Pascoski enfatizou que não são apenas os serviços públicos que serão afetados, mas toda a estrutura da cidade, que pode enfrentar um grande caos social.
A agricultora Graziela Vaz Pasqualli, que reside em Itanhangá há quase 26 anos, também se pronunciou durante o protesto. Ela contou que, junto com sua família, trabalhou arduamente para preparar a terra, retirando raízes sob o sol para garantir o sustento de todos. Graziela lamentou que nunca receberam apoio ou interesse do INCRA, e agora estão sendo simplesmente ordenados a deixar suas propriedades. Emocionada, ela declarou que só sairá de sua terra morta: “Se vidas forem ceifadas durante as retomadas, este sangue vai ficar nas mãos daqueles que deveriam ter dado os títulos definitivos, mas preferiram transformar Itanhangá em um curral eleitoral”.
A situação em Itanhangá permanece tensa, com a população unida e determinada a defender suas terras. O impasse entre os moradores e o INCRA levanta questões sobre os direitos de propriedade, a justiça social e o futuro da reforma agrária no Brasil.




