A Polícia Civil de Mato Grosso prendeu 11 suspeitos e executou mais de 160 ordens judiciais nesta quarta-feira (30), ao deflagrar a Operação Sepulcro Caiado. A ação atingiu empresários, advogados e servidores do Poder Judiciário, envolvidos em um esquema de fraudes que desviou mais de R$ 21 milhões dos cofres públicos.
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— Perrengue2 (@perrengue2025) July 30, 2025
A Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá liderou a investigação e revelou o funcionamento de uma organização criminosa sofisticada, que manipulava ações judiciais e falsificava comprovantes de depósitos. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) apoiou ativamente a operação e identificou irregularidades nos próprios sistemas.
Grupo falsificava processos e forjava pagamentos
Os criminosos ajuizavam ações de cobrança sem o conhecimento das supostas partes devedoras. Em seguida, falsificavam comprovantes de pagamento judicial e os inseriam nos autos. Um servidor do TJMT, envolvido no esquema, transferia valores da conta única do tribunal para contas vinculadas aos processos fraudulentos, possibilitando o levantamento irregular de alvarás.
A quadrilha protocolou pelo menos 17 processos fraudulentos entre 2018 e 2022. Em 2023, o TJMT modificou a metodologia de transferência de valores, o que interrompeu fraudes semelhantes.
Vítimas descobriram dívidas fantasmas em seus nomes
Os criminosos criaram dívidas judiciais irreais que chegavam a R$ 1,8 milhão, embora as dívidas reais não ultrapassassem R$ 100 mil. As vítimas, entre elas pessoas físicas, empresários e até um interditado judicialmente, descobriram os processos apenas após a movimentação financeira suspeita.
A quadrilha inseria advogados nos processos para representar falsamente os réus, criava documentos processuais falsos, e lavava o dinheiro por meio de empresas e contas interligadas.
Mandados alcançam Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP)
Os policiais cumpriram mandados em Cuiabá, Várzea Grande e Marília (SP). As ordens judiciais incluíram:
- 11 mandados de prisão preventiva
- 22 buscas e apreensões
- 16 bloqueios judiciais de contas que somam R$ 21,7 milhões
- 46 quebras de sigilo bancário e fiscal
- sequestro de 18 veículos e 48 imóveis
Investigação continua e pode revelar fraudes maiores
A Polícia Civil mantém as investigações ativas para localizar outros processos forjados e identificar mais envolvidos. Os investigadores apontam que o esquema pode ser ainda maior do que o revelado nesta fase da operação.
A operação recebeu o nome Sepulcro Caiado, expressão que faz referência a algo que aparenta ser puro por fora, mas esconde corrupção por dentro. O nome simboliza a aparência legal dos processos fraudulentos criados pela organização.
Perguntas frequentes
Empresários, advogados e servidores do Judiciário de Mato Grosso.
O grupo forjava processos e comprovantes de pagamento para sacar dinheiro público via alvarás judiciais.
Mais de R$ 21 milhões desviados entre 2018 e 2022.



