A Polícia Civil de Mato Grosso desmontou, na manhã desta quinta-feira (3), um dos maiores esquemas de expansão territorial de facções criminosas na região norte do estado. Com a Operação Yang, os agentes prenderam 21 membros da facção, cumpriram três mandados de busca e apreensão e executaram quebras de sigilos bancários e telefônicos, todos autorizados pela 5ª Vara de Sinop.
A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) liderou a operação com apoio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e das delegacias de Sorriso e Cáceres. As polícias dos estados do Pará, Maranhão, São Paulo e Paraná também atuaram na operação.
Facção se organizava como empresa criminosa
Os investigadores identificaram uma estrutura interna extremamente organizada. A facção dividia funções com hierarquia definida. Os membros atuavam sob codinomes como “Coringa Geral”, “Hórus”, “Geral do Estado”, entre outros. Cada cargo trazia atribuições específicas, desde controle territorial até disciplina e punições internas.
A organização gerenciava os integrantes por meio de um sistema batizado de “Tabuleiro de Numerada”, onde mantinha o cadastro atualizado com nomes, apelidos, regiões e canais de comunicação usados pelos criminosos. A facção também disseminava cartilhas com estatutos próprios, códigos internos e expressões cifradas para padronizar condutas e reforçar o domínio sobre rivais.
Criminosos planejavam homicídios, sequestros e exibiam execuções
As investigações da GCCO revelaram que os integrantes da facção tratavam, em tempo real, de execuções, tráfico de drogas, sequestros e compra de armas, que chamavam de “ferros”. Eles gravavam e compartilhavam vídeos com cadáveres de inimigos como forma de intimidação e exaltação da violência.
Além dos crimes, os líderes organizavam a proteção de familiares, coordenavam contra-ataques e difundiam ordens com rígido controle. O delegado Antenor Pimentel, da GCCO, afirmou que a facção tentou ocupar o espaço deixado por outra organização desarticulada em 2023 pela Operação Recovery.
Perguntas frequentes
A Polícia Civil prendeu os principais líderes que comandavam a expansão da facção criminosa em Mato Grosso.
Os criminosos usavam o “Tabuleiro de Numerada” para registrar nomes, funções e regiões de atuação.
Os investigadores escolheram o nome para simbolizar a luz que confronta o avanço do crime.



