A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (26.2), a Operação Tartufo e cumpriu mandados judiciais contra membros de uma facção criminosa que atuava no comércio ilegal de armas de fogo e na introdução clandestina de celulares dentro de unidades prisionais. A Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) liderou a investigação, que durou mais de dois anos, utilizando métodos avançados de inteligência e análise de dados.
Início da operação
A Denarc iniciou as investigações em 2023 e revelou uma organização criminosa bem estruturada, com divisão clara de tarefas entre os membros. A facção atuava tanto fora quanto dentro das penitenciárias, comercializando armas, como pistolas e espingardas, e introduzindo celulares na Penitenciária Central do Estado (PCE). A polícia identificou o principal alvo da operação, que coordenava essas atividades ilícitas. Ele também gerenciava a logística de distribuição dos celulares para os detentos.
Outros membros do grupo também foram identificados: um transportava e ocultava os aparelhos eletrônicos, enquanto outro, mesmo preso, mantinha o controle dentro da unidade prisional, liderando os detentos.
Uso de tecnologia para facilitar o crime
A operação também revelou o uso de tecnologia para facilitar o crime. A facção utilizou um drone não registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que realizou 67 operações de voo, transportando ilícitos para dentro das unidades prisionais. O uso do drone ocorreu em horários noturnos, dificultando a detecção pelas autoridades. A polícia rastreou o drone que sobrevoava a Penitenciária Central do Estado e a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, entregando ilegalidades aos criminosos.
Prisões e cumprimento de mandados
Durante a Operação Tartufo, a polícia cumpriu três mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, com ações em Cuiabá e Várzea Grande. As buscas ocorreram em residências de integrantes da facção e em um galpão usado para armazenar armas e outros materiais ilícitos. A operação contou com o apoio da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (CORE), que auxiliou nas ações operacionais.
Os alvos da operação enfrentam acusações pelos crimes de comércio ilegal de armas de fogo (art. 17 da Lei nº 10.826/2003), introdução clandestina de aparelhos telefônicos em unidades prisionais (art. 349-A do Código Penal) e integração à organização criminosa (art. 2º da Lei nº 12.850/2013). O nome da operação, “Tartufo” – que significa “aquilo que está escondido sob a terra” em italiano – foi escolhido para refletir o comportamento discreto da facção, que usava uma linguagem codificada, veículos adaptados e drones para evitar a detecção.
Perguntas frequentes
A polícia rastreou 67 voos do drone, que sobrevoou presídios e entregou ilícitos, utilizando tecnologia avançada de monitoramento.
“Tartufo” significa “aquilo que está escondido sob a terra” em italiano, refletindo o comportamento discreto da facção criminosa.
Eles enfrentam acusações de comércio ilegal de armas, introdução de celulares em presídios e participação em organização criminosa.






