A Polícia Civil de Mato Grosso desmantelou, nesta terça-feira (4/11), um esquema criminoso que direcionava contratações e simulava concorrência entre empresas do setor médico-hospitalar para fraudar o sistema público de saúde. Com a deflagração da Operação Fio de Aço, os agentes cumpriram 14 mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas investigadas e nas casas dos envolvidos.
Os investigadores descobriram que os grupos fraudavam orçamentos de procedimentos médicos, apresentando valores inflados em ações judiciais que obrigavam o Estado a custear tratamentos via Sistema Único de Saúde (SUS). As fraudes ocorriam por meio de alvarás judiciais emitidos após decisões em ações movidas com apoio da Defensoria Pública.
Judiciário identificou orçamentos suspeitos e acionou a Polícia
O Centro Judiciário de Solução de Conflitos da Saúde Pública (Cejusc) detectou incoerências nos valores apresentados por empresas privadas em processos judiciais de diversas comarcas do estado. Após identificar o padrão de superfaturamento, o Judiciário encaminhou denúncia à Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor).
A Deccor investigou a origem dos orçamentos e confirmou que as empresas compartilham o mesmo núcleo de controle, apesar de atuarem como se fossem concorrentes. Na prática, os envolvidos criaram uma rede empresarial para fraudar decisões judiciais e desviar recursos públicos da saúde.
Grupos lucraram ao inflar preços e manipular o sistema de justiça
Durante anos, os fraudadores usaram empresas de fachada para apresentar orçamentos distintos, todos controlados por um mesmo grupo. Assim, eles enganaram juízes, manipularam decisões e garantiram o pagamento de valores superfaturados pelo Estado. A Justiça, acreditando na legalidade dos documentos, expediu alvarás que autorizaram a liberação imediata do dinheiro.
A Polícia Civil confirmou que os beneficiários diretos da fraude prestavam atendimento a pacientes vulneráveis, regulados pelo SUS e assistidos pela Defensoria Pública.
Justiça bloqueia bens e proíbe empresas de contratar com o Estado
A Justiça determinou o bloqueio de bens, veículos e contas bancárias das empresas envolvidas, dos sócios e de terceiros suspeitos de participação no esquema. Também impôs medidas cautelares aos investigados, que agora estão proibidos de se comunicar entre si ou com testemunhas. O Judiciário ainda proibiu que eles saiam da comarca sem autorização e ordenou a entrega dos passaportes.
Além disso, o Judiciário suspendeu o direito das empresas de contratar com qualquer ente público — federal, estadual ou municipal — em especial em processos judiciais de saúde.
Perguntas frequentes
Empresas médicas privadas e seus sócios, acusados de fraudar orçamentos para cirurgias via SUS.
As empresas simulavam concorrência com orçamentos combinados e superfaturados, todos ligados ao mesmo grupo.
É uma metáfora para a ligação entre as empresas envolvidas e também alude a instrumentos cirúrgicos.


