A Polícia Civil de Mato Grosso desencadeou, na manhã desta terça-feira (16), a Operação Cenário Montado Gyn e desmantelou um complexo esquema de fraudes em licitações públicas que atingia diretamente a Prefeitura de Barra do Garças. A investigação comprovou o uso de empresas de fachada, manipulação de preços, simulação de concorrência e corrupção ativa e passiva, envolvendo servidores públicos, empresários e operadores do setor de eventos.
A operação cumpre 30 ordens judiciais:
- 7 mandados de prisão preventiva;
- 7 buscas e apreensões;
- quebra de sigilo bancário, telefônico e telemático;
- suspensão de duas empresas;
- e bloqueio de R$ 4,2 milhões em bens dos investigados.
A Justiça da 2ª Vara Criminal de Barra do Garças autorizou as medidas. Equipes da CORE-MT e da Polícia Civil de Goiás executam os mandados em Barra do Garças, Aparecida de Goiânia e Aragoiânia (GO).
Delegados identificam padrão criminoso replicado entre municípios
Os delegados Adriano Marcos Alencar, Pablo Borges Rigo e Raphael Diniz, sob coordenação do delegado regional Wilyney Santana Borges, mapearam como o esquema começou em Pontal do Araguaia e rapidamente se espalhou para outros municípios, entre eles Barra do Garças. A estratégia dos fraudadores consistia em utilizar atas de registro de preços infladas, originalmente criadas por meio de licitações fraudulentas, para atrair “caronas” de outros municípios, multiplicando os ganhos ilícitos.
GAECO denuncia fraude de até R$ 51 milhões em três licitações
O GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) informou que os três pregões investigados em Pontal do Araguaia somam R$ 25,8 milhões e permitem, legalmente, adesões de até R$ 51,7 milhões. Os investigados inflaram artificialmente os custos de itens como:
- Palcos para shows;
- Sistemas de iluminação;
- Telões de LED;
- Geradores;
- Estruturas metálicas.
A análise técnica da Polícia Civil identificou superfaturamento de até 372,09% em diversos itens. Após a deflagração das operações, os preços desses produtos caíram abruptamente, o que confirmou a manipulação de mercado.
Investigadores expõem “encenação de legalidade” com empresas de fachada
A Polícia revelou que os fraudadores criaram empresas fantasmas para simular concorrência pública e mascarar o direcionamento das licitações. Essas empresas repetiam orçamentos com trechos idênticos e eliminavam a competitividade real, gerando uma fachada de legalidade.
Em Barra do Garças, a Polícia flagrou subcontratação integral irregular, execução simulada de contratos e manutenção de atividades por empresas já punidas judicialmente. Os investigadores apontam que as irregularidades visam burlar o controle externo e enriquecer ilicitamente.
Perguntas frequentes
Ainda não divulgaram os nomes, mas sete pessoas estão presas, incluindo empresários e servidores públicos.
A Polícia Civil identificou superfaturamento de até 372,09% em itens de eventos como palcos e telões.
É uma empresa criada só para simular legalidade, mas sem atuação real ou estrutura para prestar os serviços contratados.








