A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quarta-feira (8), a Operação Falso Elo para combater um grupo suspeito de aplicar golpes eletrônicos em negociações de veículos pela internet. A ação apoiou a Polícia Civil do Piauí e teve como alvo uma organização criminosa que atuava em Cuiabá e Barra do Garças. As investigações apontam vítimas em vários estados brasileiros e também no exterior.
Denúncia de idoso revelou esquema criminoso
A Polícia Civil iniciou a investigação depois que um idoso, morador de Ribeiro Gonçalves (PI), denunciou um golpe conhecido como “intermediário de vendas”. Segundo os investigadores, os criminosos utilizavam anúncios publicados na plataforma OLX para atrair compradores interessados em veículos.
Depois disso, o grupo entrava em contato com comprador e vendedor separadamente. Os suspeitos controlavam toda a comunicação, impediam que as duas partes conversassem diretamente e escondiam o valor verdadeiro do veículo. Assim, criavam uma falsa negociação e convenciam a vítima de que a compra era legítima.
Na sequência, os criminosos enviavam comprovantes bancários falsificados e utilizavam outros artifícios para transmitir confiança. Como consequência, a vítima transferia grandes quantias para contas controladas pelo grupo e sofria prejuízos financeiros expressivos.
Polícia cumpre mandados em Mato Grosso
A operação cumpriu 12 mandados de busca e apreensão. As equipes da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) executaram 11 mandados em Cuiabá. Já a 1ª Delegacia de Barra do Garças cumpriu um mandado no município.
Durante as diligências, os policiais localizaram e apreenderam celulares e equipamentos de informática utilizados pelos investigados. Agora, peritos vão extrair os dados dos aparelhos para identificar novas vítimas, rastrear a movimentação financeira do grupo e reunir mais provas.
Além disso, os investigadores acreditam que a análise dos equipamentos mostrará toda a dimensão da atuação criminosa e ajudará a responsabilizar todos os envolvidos.
Investigação aponta atuação de família de Cuiabá
Os investigadores identificaram que integrantes de uma mesma família, moradores de Cuiabá, comandavam a organização criminosa. A Delegacia de Polícia de Baixa Grande do Ribeiro (PI) conduziu a investigação com apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil do Piauí (DIPC) e da Delegacia Especializada de Estelionato de Cuiabá.
As apurações também revelaram que o grupo aplicava golpes de forma repetida e mantinha uma estrutura organizada para atuar em diferentes estados brasileiros. Além disso, a polícia encontrou registros de vítimas residentes fora do país, o que demonstra o alcance internacional do esquema.
Polícia investiga outros crimes
Além do estelionato eletrônico, a Polícia Civil investiga possíveis crimes de falsificação de documentos e associação criminosa. Os investigadores também poderão incluir outras infrações penais caso encontrem novas evidências durante a análise do material apreendido.
A Justiça do Piauí autorizou os mandados de busca, apreensão e prisões temporárias. A operação também contou com apoio do Núcleo de Inteligência de Parnaíba (NUINT/PHB), da Derf Cuiabá e da 1ª Delegacia de Barra do Garças, fortalecendo a integração entre as forças de segurança.
O delegado Mário Santiago, titular da Derf Cuiabá, afirmou que a internet não protege criminosos e destacou que a cooperação entre os estados e o Ministério da Justiça permitiu interromper a atuação do grupo e reduzir os prejuízos causados às vítimas.



