Polícia Civil cumpre ordens judiciais contra grupo suspeito de furtar cargas de soja no Oeste de Mato Grosso

Mhylenna Almeida

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, na manhã desta quinta-feira (10), a Operação Zira’A para cumprir nove mandados de busca e apreensão contra investigados por supostos furtos e desvios sistemáticos de cargas de soja no Oeste de Mato Grosso. A Justiça também autorizou os policiais a acessar dados de aparelhos eletrônicos apreendidos durante a operação.

Investigação começou após furto de carga avaliada em R$ 100 mil

A investigação começou após uma propriedade rural de Vila Bela da Santíssima Trindade registrar o furto de uma carga de soja em julho de 2023. Na ocasião, os criminosos levaram grãos avaliados em aproximadamente R$ 100 mil, segundo os dados reunidos pela Polícia Civil.

As equipes das Delegacias de Pontes e Lacerda e de Vila Bela da Santíssima Trindade conduziram as diligências. Os investigadores analisaram materiais, ouviram testemunhas e realizaram levantamentos patrimoniais para identificar a possível participação de cada suspeito.

Durante a apuração, os policiais também encontraram indícios que relacionam parte dos investigados ao furto de outra carga de soja em Pontes e Lacerda. A descoberta reforçou a suspeita de que o grupo praticava os crimes de forma contínua na região.

Polícia Civil aponta atuação coordenada no desvio da soja

Segundo a investigação, o suposto esquema dependia da atuação conjunta de diferentes pessoas. Balanceiro, classificador, motorista e proprietário do veículo assumiam funções específicas para facilitar a retirada irregular dos grãos e transportar as cargas sem os registros fiscais e contábeis necessários.

Os investigadores identificaram uma possível divisão de tarefas dentro e fora das propriedades rurais. Pessoas que atuavam nas fazendas facilitavam a pesagem, a classificação e a liberação dos grãos, enquanto outros suspeitos disponibilizavam veículos e transportavam a soja desviada.

A Polícia Civil também encontrou indícios de que os investigados utilizavam empresas e compravam bens para ocultar ou dissimular valores supostamente obtidos com os crimes. Por isso, os investigadores ampliaram a apuração para possíveis crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Operação apreende bens de investigados

Durante o cumprimento dos mandados, os policiais apreenderam bens pertencentes aos investigados. A equipe identificou indícios de que parte desse patrimônio pode ter origem nos recursos obtidos com os crimes investigados.

A medida permite que a Justiça preserve os bens enquanto a investigação avança. Os policiais também pretendem evitar que os investigados ocultem, transfiram ou dissipem o patrimônio que possa ter relação com as atividades criminosas.

A Justiça autorizou ainda o acesso aos dados telefônicos e telemáticos dos aparelhos eletrônicos que os policiais apreenderam durante a operação. Os investigadores poderão analisar mensagens, arquivos e outras informações que contribuam para esclarecer a atuação do grupo.

Investigadores procuram outros envolvidos

A análise dos equipamentos e documentos poderá ajudar a Polícia Civil a identificar outros suspeitos, localizar o destino das cargas e individualizar a participação de cada investigado. As equipes também vão rastrear a movimentação dos valores supostamente obtidos com os desvios.

A Polícia Civil ainda verifica se o grupo participou de outros furtos de cargas de grãos registrados na região Oeste de Mato Grosso. Os novos elementos encontrados durante a operação podem levar os investigadores a solicitar outras medidas judiciais.

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