Pela primeira vez, profissionais do sexo têm carteira assinada; saiba detalhes

Perrengue Mato Grosso

Três mulheres que trabalham como profissionais do sexo tiveram profissão reconhecida

Pela primeira vez, três mulheres que trabalham como profissionais do sexo tiveram suas carteiras assinadas e sua atividade reconhecida. O responsável foi um empregador em Itapira (SP), segundo informações do colunista Leonardo Sakamoto, do Uol.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, é a primeira vez que uma fiscalização consegue efetivar o vínculo empregatício de pessoas que atuam com prostituição.

Conforme a reportagem, o processo começou após uma denúncia de condições análogas à escravidão em duas boates do município. Um grupo especial de fiscalização se juntou com a Inspeção do Trabalho do MTE, o Ministério Público do Trabalho, a Polícia Federal e a Defensoria Pública da União.

Mulheres cissexuais migrantes de outras regiões do Brasil prestavam serviços nos locais. As condições não se configuraram escravidão contemporânea, mas de informalidade. De acordo com a fiscalização, não havia indício de aliciamento, nem de tráfico de seres humanos.

As condições de alojamento, alimentação e remuneração estavam adequados, apesar de algumas irregularidades. Também não havia indícios de servidão por dívida e de degrdação.

O grupo móvel constatou que as mulheres eram empregadas, que não contavam com direitos e proteções sociais previstos por lei, e exigiram sua contratação formal através de um termo de ajustamento de conduta firmado com o MPT e a DPU. A atividade de “profissional do sexo” está listada na Classificação Brasileira de Ocupação (CBO).

De acordo com o coordenador da operação, o auditor fiscal do trabalho Magno Riga, o processo de reconhecimento garante o direito das mulheres.

“A atuação da fiscalização levando à formalização por parte do empregador pode inaugurar um período de redução da precarização dessas profissionais, o que reduz a marginalização e previne quanto ao trabalho escravo”, avaliou.

Ainda segundo Riga, a intenção do reconhecimento do vínculo empregatício é para garantir que a situação não acabe evoluindo para a escravidão. “Há segmentos que são contrários à regulamentação de profissionais de sexo e outros que a defendem. Respeitamos essa discussão. Mas a fiscalização acredita que cabe às trabalhadoras o reconhecimento de direitos onde eles existem de fato e atuar pela erradicação do trabalho escravo”, afirmou.

Após o reconhecimento das três mulheres, a fiscalização aguarda o mesmo ocorrer com mais dez mulheres do segundo estabelecimento.

Via B News

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