Padre é excomungado após se juntar a grupo tradicionalista em novo confronto com o vaticano

Perrengue Mato Grosso

A Diocese de Jundiaí anunciou a excomunhão do padre Rodrigo de Oliveira Silva após o sacerdote aderir à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A decisão coloca o religioso no centro de uma antiga disputa entre a Igreja Católica e o grupo tradicionalista, que mantém uma relação de forte tensão com o Vaticano.

sacerdote deixa diocese e adere à fraternidade

Rodrigo havia solicitado seu afastamento da Diocese de Jundiaí em fevereiro. Antes disso, o sacerdote exercia a função de pároco da Paróquia Santo Antônio. Natural de Cajamar, na região metropolitana de São Paulo, ele iniciou a formação religiosa no Seminário Diocesano Nossa Senhora do Desterro.

O padre concluiu os estudos de Filosofia e Teologia em 2009. No ano seguinte, recebeu a ordenação como diácono e, em 2011, foi ordenado sacerdote.

Após a adesão à FSSPX, o bispo diocesano, Dom Arnaldo Carvalheiro Neto, afirmou que o sacerdote entrou em situação de cisma e excomunhão. A Diocese de Jundiaí também classificou como ilícitos os atos realizados pelo religioso no exercício do ministério.

decisão gera impacto em sacramentos

A determinação da diocese também envolve sacramentos administrados pelo padre. Segundo Dom Arnaldo, a absolvição sacramental concedida por Rodrigo não possui validade, assim como os casamentos aos quais ele tenha prestado assistência.

A medida mostra o peso da decisão tomada pelo sacerdote. Ao aderir formalmente à fraternidade, Rodrigo deixou de atuar sob a autoridade da Diocese de Jundiaí e passou a integrar uma organização que mantém uma relação controversa com a hierarquia católica.

grupo tradicionalista mantém longa disputa com roma

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre. O grupo surgiu em oposição a mudanças promovidas pelo Concílio Vaticano II e preserva práticas tradicionais da liturgia católica, como a celebração da Missa Tridentina.

O Vaticano considera cismáticas determinadas ações realizadas pela fraternidade sem autorização da Santa Sé. A tensão aumentou após o grupo nomear bispos sem autorização papal.

Roma estabeleceu condições para integrantes da FSSPX que desejam retornar à plena comunhão com a Igreja. Entre elas, estão a aceitação do Concílio Vaticano II e a submissão à autoridade do papa.

A fraternidade rejeita a acusação de cisma e afirma defender a tradição católica. O caso de Jundiaí agora transforma essa antiga disputa em uma crise concreta dentro da Igreja brasileira.

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