Os irmãos Eduardo e Rafael Razuk foram presos durante uma operação da Polícia Civil que investiga um esquema de rifas ilegais de carros de luxo. A Operação Rodas da Sorte foi deflagrada nesta terça-feira (18) em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Paraíba. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 500 milhões em bens e valores relacionados ao grupo investigado.
Segundo a Polícia Civil, o esquema movimentou mais de R$ 100 milhões em apenas seis meses. Além dos irmãos Razuk, outros dois homens foram presos no Rio de Janeiro e na Paraíba. A investigação apura suspeitas de prática de rifas ilegais, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
Rifas chegavam a movimentar R$ 2 milhões por sorteio
A investigação da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) aponta que o grupo realizava sorteios sem autorização desde 2019.
Segundo o delegado Pedro Henrique Pilar Cunha, as cotas eram comercializadas pelas redes sociais e, em determinado período, cada rifa movimentava aproximadamente R$ 2 milhões.
Entre 2019 e 2025, as atividades teriam ficado concentradas em Campo Grande. Posteriormente, segundo a polícia, o grupo modificou a forma de atuação.
Polícia aponta esquema entre três estados
A partir de 2025, os investigados teriam estabelecido relações com uma empresa do Rio de Janeiro e outra da Paraíba.
Segundo a Polícia Civil, a empresa carioca intermediava a relação entre influenciadores digitais e a estrutura localizada na Paraíba.
Os investigadores suspeitam que esse modelo buscava conferir aparência de legalidade aos sorteios e dificultar o rastreamento do dinheiro.
“Eles propiciavam um ar de legalidade às rifas ilegais e, ao mesmo tempo, promoviam uma sofisticação da lavagem de dinheiro obtida com essas rifas”, afirmou o delegado.
Polícia apreende 22 carros de luxo
A Operação Rodas da Sorte cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão.
Somente em Campo Grande, os policiais apreenderam 22 veículos de luxo avaliados, conjuntamente, entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. Dois relógios de alto valor também foram recolhidos.
A Justiça determinou ainda medidas sobre imóveis e contas bancárias. Celulares, computadores e outros dispositivos apreendidos serão analisados durante a continuidade das investigações.
A defesa dos irmãos contesta as suspeitas e afirma que os sorteios respeitavam a legislação.
“Ainda não temos acesso à investigação e a decisão judicial, mas podemos antecipar que os sorteios realizados são legais. A operação respeita todo o regramento específico do setor, não havendo qualquer irregularidade. Após ter acesso ao procedimento podemos prestar novos esclarecimentos”, afirmaram os advogados Tiago Bunning e Heitor Matos.



