A Organização das Nações Unidas abriu oficialmente o processo para escolher quem assumirá o cargo de secretário-geral a partir de janeiro de 2027. O movimento, divulgado em comunicado conjunto da presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, e do presidente do Conselho de Segurança, Michael Imran Kanu, marca o início de uma disputa que deve mobilizar governos, diplomatas e analistas ao longo dos próximos dois anos.
O convite enviado aos 193 Estados-membros estabelece que cada país pode indicar candidatos, mas com um apelo direto: considerar seriamente a nomeação de mulheres. A ONU nunca teve uma líder feminina em 80 anos de história, e a pressão por representatividade cresceu dentro e fora da instituição.
Disputa promete refletir interesses regionais e debates sobre reforma do sistema multilateral
A sucessão na ONU costuma ir além da escolha individual. Ela revela tensões geopolíticas e mostra quais blocos regionais conseguem articular apoio internacional. Até agora, a liderança da organização se concentrou majoritariamente na Europa, Ásia e África. A América Latina teve apenas um secretário-geral: Javier Pérez de Cuéllar, que comandou a instituição de 1982 a 1991.
Especialistas avaliam que o apelo por diversidade regional pode influenciar diretamente as indicações, já que países do Sul Global pressionam por mais protagonismo em instâncias multilaterais. A expectativa é de que candidaturas latino-americanas, africanas e asiáticas ganhem força nesta edição do processo.
Representatividade feminina ganha centralidade e pode marcar uma virada histórica
O comunicado emitido pelos líderes da ONU fez um apelo explícito para que os Estados considerem mulheres entre os nomes apresentados. O gesto responde a movimentos internos e externos que reivindicam renovação na liderança global, especialmente em um organismo que lida com temas como igualdade de gênero, direitos humanos e desenvolvimento sustentável.
Nos últimos ciclos, candidaturas femininas foram apresentadas, mas nenhuma prosperou nas negociações do Conselho de Segurança — etapa crucial, já que apenas um nome é recomendado à Assembleia Geral.
Transição ocorre em 2026, e novo líder enfrenta cenário global desafiador
António Guterres encerra seu mandato em 31 de dezembro de 2026, entregando o cargo em um momento de intensa transformação internacional. Conflitos prolongados, incertezas econômicas, avanço tecnológico e disputas climáticas moldam o contexto em que o próximo secretário-geral deverá atuar.
A eleição final ocorre após recomendação do Conselho de Segurança e aprovação da Assembleia Geral, processo que costuma envolver negociações delicadas entre potências globais.
Perguntas frequentes:
A ONU já teve uma mulher como secretária-geral?
Não. Nenhuma candidata conseguiu avançar até a fase final do processo.
Quem decide o novo secretário-geral?
O Conselho de Segurança recomenda um nome, e a Assembleia Geral confirma por maioria.
Quando o novo líder assume?
Em 1º de janeiro de 2027, após o fim do mandato de António Guterres.




