Na manhã da última quarta-feira (25), um agricultor e seu filho registraram um encontro raro em Sorriso, no norte de Mato Grosso. Enquanto atravessavam uma lavoura de picape, na região do Caravágio, os dois flagraram uma onça-pintada macho descansando tranquilamente entre as plantas. O animal não demonstrou medo nem reagiu com agressividade. Deitado, sereno e atento, ele transformou o campo em palco de um espetáculo natural inesperado.
“Parecia uma escultura viva”, relatou o agricultor, que preferiu não se identificar. Ele destacou o impacto da cena: “Ver um bicho desses, assim tão perto, faz a gente repensar muita coisa”.
Onça reaparece e reacende debate sobre preservação no agronegócio
A presença da onça em pleno campo cultivado chama atenção para uma questão urgente: o Brasil consegue produzir em larga escala sem expulsar a fauna silvestre? Especialistas afirmam que sim, mas exigem planejamento. A onça-pintada, topo da cadeia alimentar, exige grandes áreas preservadas para circular, caçar e se reproduzir.
Pesquisadores do ICMBio alertam que a espécie depende de corredores ecológicos intactos para sobreviver. Em Sorriso, município líder na produção de soja e milho, flagrantes como esse demonstram que a fauna ainda resiste, mesmo sob intensa pressão agrícola.
Flagrantes se tornam cada vez mais raros no Cerrado e Amazônia
Com o desmatamento acelerado e a fragmentação dos habitats naturais, as chances de encontrar uma onça-pintada livre em áreas produtivas caíram drasticamente nas últimas décadas. Registros como o de Sorriso ajudam a entender que o agronegócio pode — e deve — considerar a conservação como parte do planejamento territorial.
Perguntas frequentes
A onça apareceu em uma lavoura na região do Caravágio, em Sorriso (MT).
Não. Isso é raro e indica que ainda existem áreas preservadas próximas.
Geralmente, não. Ela evita contato com pessoas, a menos que se sinta ameaçada.





