A nova desembargadora do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), Gabriela Carina Knaul, tomou posse na sexta-feira (13) e destacou, já em sua primeira manifestação pública, a necessidade de ampliar a participação feminina no Poder Judiciário. Durante entrevista, ela afirmou que políticas afirmativas representam instrumento essencial para garantir igualdade material dentro das instituições.
Atualmente, o Pleno do TJ-MT conta com 39 membros. Desse total, 11 são mulheres. O número revela avanço em relação a décadas anteriores, quando a presença feminina era ainda menor, mas também expõe o desafio de equilibrar a representatividade na mais alta instância do Judiciário estadual.
“Essa oportunidade é essencial para que a igualdade material se concretize. Essas políticas afirmativas consagram uma oportunidade que, muitas vezes, a cultura, a tradição e a própria ambiência ainda acabam por excluir”, afirmou a magistrada.
Participação feminina ainda é minoria nas cortes
Apesar do crescimento gradual da presença de mulheres na magistratura brasileira, os cargos de maior hierarquia ainda registram predominância masculina. Dados do Conselho Nacional de Justiça indicam que as mulheres já representam parcela significativa na base da carreira, especialmente entre juízas substitutas e titulares.
No entanto, a ascensão aos tribunais segue mais lenta. Em cortes estaduais e superiores, a proporção feminina costuma ser menor do que a masculina. O cenário do TJ-MT reflete essa realidade, com 11 mulheres entre 39 integrantes do Pleno.
A fala da nova desembargadora coloca o tema novamente no centro do debate institucional, ao defender medidas que assegurem condições equitativas de progressão.
Igualdade material e políticas afirmativas
Gabriela Carina Knaul destacou o conceito de igualdade material. Diferentemente da igualdade formal, que garante tratamento idêntico na lei, a igualdade material busca compensar desigualdades históricas e estruturais.
Segundo especialistas, políticas afirmativas visam reduzir barreiras culturais e institucionais que dificultam o acesso de determinados grupos a posições de liderança. No Judiciário, essas medidas podem envolver critérios objetivos de promoção, transparência nos processos de escolha e incentivo à diversidade.
A desembargadora ressaltou que fatores como tradição e ambiente institucional ainda influenciam oportunidades de ascensão, o que exige atenção contínua.
Desafios e perspectivas na Corte mato-grossense
A posse de uma nova integrante no Pleno amplia a presença feminina e pode contribuir para pluralidade de perspectivas nas decisões colegiadas. Tribunais exercem papel central na interpretação da Constituição e na garantia de direitos.
A composição diversificada tende a enriquecer debates jurídicos e fortalecer a legitimidade institucional. Ainda assim, a ampliação da representatividade depende de políticas estruturadas e continuidade administrativa.
A nova desembargadora assume o cargo em um momento em que o Judiciário brasileiro discute transparência, equidade e modernização.
Perguntas e respostas
Atualmente, 11 entre 39 membros.
É a busca por condições reais de equilíbrio, além da igualdade prevista na lei.
Porque ajudam a reduzir desigualdades estruturais na carreira.








