O governo federal, sob a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentou um plano de mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Essas alterações, que envolvem a portabilidade do benefício, buscam estimular a concorrência entre as empresas do setor. Contudo, enquanto supermercados apoiam a proposta, empresas de benefícios manifestam preocupações, prevendo possíveis impactos inflacionários.
O que muda com a nova proposta?
Inicialmente, o Ministério da Fazenda sugeriu a portabilidade do vale-alimentação. Com essa medida, o trabalhador poderá escolher livremente a operadora do cartão. Segundo o ministro Fernando Haddad, essa estratégia, além de ampliar a concorrência, deverá forçar a redução das taxas cobradas pelas operadoras. Dessa forma, o governo acredita que os custos no comércio também poderão diminuir.
Adicionalmente, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apresentou uma proposta complementar, chamada PAT eSocial. Nesse modelo, o valor do benefício seria transferido diretamente para contas da Caixa Econômica Federal, o que, em teoria, eliminaria intermediários. Segundo a Abras, essa mudança geraria uma economia anual de aproximadamente R$ 10 bilhões para o setor. “Hoje, enfrentamos taxas que chegam a 15%, o que afeta severamente nossa operação”, ressaltou a entidade.
Por que empresas de benefícios discordam?
Por outro lado, as empresas que administram o vale-alimentação criticaram a proposta. De acordo com Lucio Capelletto, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), a portabilidade pode gerar efeitos contrários aos desejados. “Embora a ideia seja aumentar a competitividade, as operadoras precisarão oferecer incentivos aos trabalhadores, o que, inevitavelmente, será repassado aos preços”, advertiu.
Além disso, a Câmara Brasileira de Benefícios ao Trabalhador (CBBT) sugere que o governo amplie a fiscalização sobre o “rebate”. Essa prática, que envolve subsídios em contratos comerciais, pode continuar a distorcer os preços mesmo com as novas regras. A entidade também apoia a adoção da interoperabilidade, que permitirá a aceitação de qualquer bandeira de cartão em todos os estabelecimentos.
Entretanto, a flexibilização para o uso do benefício via Pix preocupa os representantes do setor. Ademar Bandeira, conselheiro da CBBT, acredita que a medida poderia facilitar desvios. “Sem um controle adequado, o recurso poderá ser usado para pagar contas ou até mesmo apostas online, desviando-o de seu propósito original”, explicou.
Perspectivas e desafios futuros
Diante dessa disputa, o governo busca um equilíbrio entre reduzir custos e conter a inflação de alimentos. No entanto, o embate entre os interesses dos supermercados e das empresas de benefícios indica que o processo regulatório ainda enfrentará desafios significativos. Portanto, os próximos meses devem ser marcados por novas negociações e ajustes no projeto.
Perguntas frequentes
A portabilidade permitirá que o trabalhador escolha a operadora do cartão de benefícios. O objetivo, segundo o governo, é aumentar a concorrência entre as empresas do setor, o que pode levar à redução das taxas cobradas dos estabelecimentos comerciais.
As empresas de benefícios acreditam que a portabilidade criará uma disputa intensa por clientes, obrigando-as a oferecer mais incentivos aos trabalhadores.
A proposta do PAT eSocial, defendida pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), sugere que o valor do benefício seja depositado diretamente em contas da Caixa Econômica Federal.






