No domingo (13), os moradores de Chapada dos Guimarães, a 65 km de Cuiabá, se mobilizaram em protesto contra as obras no Portão do Inferno, localizado na MT-251. A Secretaria de Infraestrutura e Logística (Sinfra) planeja remover parte das rochas do paredão com o objetivo de prevenir deslizamentos e aumentar a segurança da estrada. No entanto, os manifestantes argumentam que a intervenção, além de causar impactos ambientais, pode gerar danos culturais irreversíveis, mobilizando a população local.
Impactos ambientais e culturais em debate
Os manifestantes destacam que as obras colocam em risco um patrimônio natural de extrema relevância. Eles apontam que o Portão do Inferno, além de sua importância geológica, que remonta a 350 milhões de anos, também abriga um sítio arqueológico com mais de 5 mil anos. Portanto, ao remover as rochas, a obra poderia comprometer tanto o ambiente quanto a história cultural da região. Os moradores afirmam que essa intervenção causaria prejuízos permanentes ao local.
Outro ponto levantado pelos manifestantes refere-se ao impacto econômico da obra. A cidade de Chapada dos Guimarães depende fortemente do turismo, sendo suas belezas naturais a principal atração para visitantes. Com o fechamento parcial da estrada durante as obras, o fluxo de turistas já está sendo afetado, prejudicando atividades como pousadas, restaurantes e passeios ecológicos. Além disso, os manifestantes já reuniram mais de 16 mil assinaturas em um abaixo-assinado, o que mostra o nível de engajamento da população local, que conta com pouco mais de 19 mil habitantes.
Em contrapartida, a Sinfra defende a importância das obras para garantir a segurança dos motoristas que utilizam a estrada, especialmente em períodos de chuvas intensas, quando o risco de deslizamentos aumenta significativamente. A secretaria também assegura que o projeto cumpre todas as exigências legais, incluindo o monitoramento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e visa, além disso, preservar o fluxo turístico com melhorias na infraestrutura da região.
Alternativas sustentáveis sugeridas pelos moradores
Em resposta, os manifestantes sugerem alternativas menos invasivas para preservar o patrimônio natural e cultural da região. Eles defendem o uso de tecnologias modernas que permitam estabilizar o paredão sem a necessidade de remover partes significativas das rochas. Além disso, pedem a reformulação do projeto com a participação de especialistas e da comunidade local, visando encontrar soluções que conciliem segurança e preservação ambiental. Mesmo com o avanço das obras, o movimento popular segue forte e promete novas manifestações, caso suas demandas não sejam atendidas.
Assim, o impasse entre desenvolvimento e preservação continua, colocando em evidência a necessidade de encontrar um equilíbrio que permita o progresso sem comprometer o valioso patrimônio natural e cultural de Chapada dos Guimarães.









