O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) reacendeu o caso do assassinato do radialista Rivelino Brunini e denunciou falhas graves no processo que envolve o empresário João Arcanjo Ribeiro, acusado de envolvimento no duplo homicídio ocorrido em 2002. O MP afirma que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) não o intimou sobre um acórdão decisivo, o que impediu a atuação do órgão e comprometeu a continuidade do julgamento.
O recurso apresentado pelo MP exige a anulação da decisão que extinguiu a punibilidade de Arcanjo e defende a realização de um novo júri. Os promotores também sustentam que, conforme tratados internacionais que o Brasil ratificou, crimes cometidos em contexto de graves violações de direitos humanos não prescrevem.
MP aponta omissões que favorecem o réu
O MP detalhou diversas falhas que beneficiaram João Arcanjo Ribeiro no processo. O órgão destacou que Arcanjo cumpriu quatro anos de pena antes da anulação da sentença, mas o Judiciário ignorou esse período como marco interruptivo da prescrição. Além disso, o recurso enfatiza que decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e um acórdão de 2024 deveriam ter reiniciado a contagem do prazo prescricional — o que também não ocorreu.
Ao expor esses fatos, o MP acusa o sistema judicial de negligência e exige que a Justiça reconheça as irregularidades e reabra o caso.
Advogado aponta “força oculta” atuando no processo
Um advogado criminalista que acompanha a família Brunini classificou o caso como “um dos mais esdrúxulos da história criminal brasileira”. O jurista, formado pela USP, afirmou:
“Percebo uma força oculta poderosa atuando para livrar João Arcanjo Ribeiro desse caso. O medo que o nome dele ainda provoca é real. Eu mesmo não posso me identificar.”
A fala denuncia o clima de intimidação que envolve o caso e reforça a suspeita de que interesses ocultos interferem na aplicação da Justiça.
Filho da vítima relembra o trauma e cobra justiça
Raphael Brunini, filho do radialista assassinado, relatou com emoção o impacto do crime em sua vida:
“Eu tinha 10 anos quando mataram meu pai. Meu irmão tinha 6. Quando cheguei da escola, recebi a notícia. Tive que olhar para meu irmão e dizer: ‘nosso pai virou uma estrela’. Já se passaram 23 anos. Quando nossa família vai poder descansar?”
A declaração de Raphael comoveu a todos e viralizou nas redes sociais, mobilizando a opinião pública e gerando nova pressão por justiça.
Perguntas frequentes
Sim. O Ministério Público pede a anulação da decisão que extinguiu o processo.
Porque envolve graves violações de direitos humanos, o que impede a prescrição segundo tratados internacionais.
A Justiça extinguiu a punibilidade, mas o MP não foi intimado da decisão e agora recorre.



