O Tribunal de Justiça de Mato Grosso deferiu o pedido de recuperação judicial da produtora rural Juliene de Souza Brito, ex-médica que atuou na linha de frente da pandemia da covid-19. Segundo os autos, a dívida acumulada ultrapassa R$ 10 milhões, envolvendo bancos, fornecedores e entes públicos. A decisão saiu pela 1ª Vara Cível da Comarca de Cuiabá, especializada em falências e recuperações judiciais.
Do trauma da UTI à crise no campo
Juliene relatou que, em 2020, coordenou uma UTI no auge da pandemia e desenvolveu quadro depressivo após o período, o que a levou a abandonar a medicina. Filha de família tradicional no setor pecuário, decidiu retomar o vínculo com o campo e investiu pesado na Fazenda Ouro Branco, em Nossa Senhora do Livramento (MT). Os investimentos incluíram cercas, bebedouros e aquisição de gado — tudo financiado com crédito rural.
Mercado instável, seca e prejuízos acumulados
Desde 2017, o setor pecuário vem sofrendo com oscilação de preços e retração de mercado, cenário que se agravou com a Operação Carne Fraca, a estiagem severa em 2021 e um caso de “vaca louca” em 2023, que suspendeu exportações temporariamente. A empresária também sofreu perdas físicas: quase 100 cabeças de gado escaparam por falhas nas cercas, segundo a petição judicial.
Justiça suspende cobranças e impõe prazo para plano de recuperação
Com a recuperação judicial deferida, a Justiça suspendeu execuções e bloqueios sobre os bens essenciais à atividade, incluindo a propriedade rural. O administrador judicial nomeado foi Rennan Alves Lemes. Juliene agora terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação, que será avaliado pelos credores.
Perguntas e respostas:
A maior parte está ligada a financiamentos com garantia real, principalmente com a Caixa Econômica Federal.
Por enquanto, não. A Justiça suspendeu as cobranças sobre os bens essenciais enquanto durar a recuperação judicial.
Não. Ela deixou a medicina após desenvolver depressão durante a pandemia e se dedica exclusivamente à atividade rural.


