Mauro Mendes rebate pressão por crise hídrica em Várzea Grande e diz que Estado “não é solucionador universal”; veja vídeo

A crise de abastecimento de água em Várzea Grande voltou ao centro do debate político após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) solicitar ao Ministério Público uma avaliação sobre possível intervenção no Departamento de Água e Esgoto (DAE-VG). A declaração que o governador Mauro Mendes (União) deu nesta quarta-feira (26.11) reacendeu discussões sobre autonomia municipal, gestão de recursos e limites da atuação estadual. Ele afirmou que o problema é histórico e que a Prefeitura deve assumir a responsabilidade direta.

Governador aponta falhas estruturais e alerta para sobrecarga do Estado

Para Mauro Mendes, a recorrente falta de água em bairros várzea-grandenses não pode ser atribuída ao governo estadual. Ele destacou que o município já enfrenta problemas de abastecimento há muitos anos, independentemente da gestão atual.
Segundo o governador, a ideia de que o Estado deve assumir todas as falhas municipais é equivocada e prejudicial. “Os prefeitos precisam assumir suas responsabilidades. Não dá para jogar tudo no colo do Estado, porque senão o Estado começa a deixar de cumprir as suas obrigações para ir cumprir as obrigações dos prefeitos”, afirmou.
A fala reforça a necessidade de que cada ente público responda por sua área de competência, evitando sobreposição de funções que comprometa o planejamento estadual.

Possível intervenção no DAE-VG gera debate institucional

A solicitação do TCE ao Ministério Público para avaliar uma intervenção no DAE-VG ocorre após a intensificação das reclamações de moradores, que relataram semanas de desabastecimento em diferentes regiões da cidade.
A medida abriu espaço para questionamentos sobre a capacidade técnica e administrativa da autarquia. O tema se tornou ainda mais sensível porque envolve um serviço essencial, de impacto direto na saúde pública e na qualidade de vida.
Para Mendes, entretanto, a responsabilidade é clara: cabe ao município apresentar soluções efetivas e investir na modernização do sistema, caso contrário os problemas tendem a se repetir ciclicamente.

Autonomia municipal em pauta: até onde vai o papel do Estado?

O governador reforçou que não cabe ao Executivo estadual “assumir todos os problemas de todas as prefeituras”. Ele argumenta que, se essa lógica fosse adotada, criaria-se uma cadeia de transferência de responsabilidades que acabaria pressionando até o governo federal.
“O problema de Várzea Grande é de muitos anos. Eu, como governador, não posso assumir todos os problemas de todas as Prefeituras. Senão, todo prefeito que não der conta joga para o governador, e todo problema que o governador não der conta joga para o presidente”, afirmou.

A declaração amplia o debate sobre os limites da interferência estadual e coloca pressão sobre a gestão municipal para apresentar respostas claras à população.

Perguntas e respostas

A crise de água é recente?

Não. Segundo Mendes, trata-se de um problema histórico de Várzea Grande.

O Estado pode intervir no DAE-VG?

Somente após avaliação e eventual recomendação do Ministério Público, dentro de critérios legais.

A Prefeitura já apresentou soluções?

Até o momento, ainda não há plano detalhado divulgado sobre ações estruturais permanentes.

Fabíola Maria Costa Silva

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