Mato Grosso apresenta uma característica que o diferencia de todas as demais unidades da federação: é o único estado brasileiro onde existem mais homens solteiros do que mulheres solteiras, conforme dados do último Censo citados em reportagem exibida pelo Globo Repórter. Entre os fatores associados ao cenário está a forte migração de trabalhadores de outras regiões do país em busca de oportunidades no agronegócio mato-grossense, principalmente nas lavouras de soja, milho e algodão.
Agro ajuda a explicar concentração de homens solteiros
A força do agronegócio atrai trabalhadores de diferentes estados para municípios e propriedades rurais de Mato Grosso. Muitos chegam jovens, solteiros e dispostos a permanecer longe da família para construir uma carreira no campo.
Um deles é Alan Weinch, de 20 anos, que deixou o Rio Grande do Sul pela primeira vez para trabalhar em Mato Grosso. Atualmente, ele opera uma máquina utilizada na proteção de uma fazenda contra incêndios.
“Eu saí de casa com medo, mas deu tudo certo, não deu errado, não. É, bastante coragem. Se não tem coragem, não vem, não”, contou.
A própria distância entre as fazendas e os centros urbanos também interfere na rotina amorosa. Questionado sobre encontrar uma companheira, um dos trabalhadores resumiu a dificuldade: “Se quiser encontrar uma mulher solteira, tem que ir lá na cidade”.
Trabalho vem antes do casamento para alguns jovens
William Balen, de 27 anos, deixou Santa Catarina e trabalha como monitor de campo, percorrendo plantações para identificar possíveis pragas na produção de algodão. Para ele, construir uma carreira aparece antes do casamento entre as prioridades atuais.
“Eu saí de casa quando eu tinha 18 anos. Mas o meu foco principal é o agro, o trabalho, a força de vontade que um dia vai ter retorno. Eu amo o que eu faço. Eu tenho 27 anos hoje. Minha meta é ter um casamento a partir dos 30 anos de idade”, afirmou.
A tendência também acompanha uma mudança nacional. Segundo os dados apresentados na reportagem, atualmente as mulheres brasileiras chegam ao casamento, em média, aos 29 anos, enquanto os homens se casam aos 31.
Até o namoro entra no calendário da safra
A rotina intensa das propriedades rurais também interfere diretamente na vida social. Durante períodos de plantio e colheita, trabalhadores relatam pouco tempo disponível para sair e conhecer pessoas. A situação melhora na entressafra.
“A melhor época para relacionamento é depois que acabam as colheitas. A gente tem uma parada entre safra”, explicou um dos entrevistados.
Apesar das dificuldades, William já definiu o perfil que procura para um futuro relacionamento: “Trabalhadora. Que ame pelo menos o agro. E que seja companheira, parceira. Para o que der e vier, caminhar junto”.
Assim, a condição de Mato Grosso como único estado com mais solteiros do que solteiras aparece ligada a uma realidade demográfica marcada pela migração, pela expansão do mercado de trabalho rural e por uma rotina profissional fortemente condicionada pelo calendário das safras.
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