O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “arbitrária e sem fundamento” a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar os vistos do ministro Alexandre de Moraes, de seus familiares e aliados. O senador republicano Marco Rubio, atual secretário de Estado do governo Trump anunciou a medida nessa sexta-feira (18/7).
Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos.
— Lula (@LulaOficial) July 19, 2025
A interferência de um país no sistema de Justiça de outro é inaceitável e fere os princípios básicos do…
Crise institucional com Washington se agrava
Segundo Rubio, Moraes estaria liderando uma “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro, em referência à operação da Polícia Federal que resultou na imposição de tornozeleira eletrônica ao ex-presidente. Em nota oficial divulgada neste sábado (19), Lula declarou que a atitude norte-americana viola os princípios de soberania e respeito entre as nações. Ele acrescentou que nenhum tipo de intimidação irá comprometer a missão das instituições brasileiras de preservar o Estado Democrático de Direito.
Trump eleva tensões com tarifa de 50% sobre exportações brasileiras
A crise institucional ocorre em paralelo a um novo abalo econômico. Na semana passada, Donald Trump enviou uma carta pública ao presidente Lula anunciando a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A medida começa a valer no dia 1º de agosto.
Trump alegou que sua decisão é uma resposta direta ao “julgamento vergonhoso” de Bolsonaro no STF e à suposta “violação da liberdade de expressão de americanos” por autoridades brasileiras. Lula reagiu afirmando que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e prometeu retaliações com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Setor produtivo pressiona governo para evitar prejuízos bilionários
A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) alertou que o tarifaço poderá afetar cerca de 10 mil empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos. Juntas, essas empresas empregam mais de 3,2 milhões de pessoas no Brasil. A medida coloca em risco setores como o agronegócio, a indústria de transformação e a produção de commodities.
Para tentar reverter a situação, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, iniciou uma série de reuniões com lideranças empresariais e diplomáticas. Ele declarou que o governo busca uma solução até o dia 31 de julho, sem a necessidade de pedir prorrogação.
A escalada das tensões entre os dois países, que mistura política interna e interesses comerciais, já começa a gerar insegurança entre investidores e exportadores. Especialistas alertam que, se mantida, a nova tarifa pode comprometer o desempenho da balança comercial brasileira com seu segundo maior parceiro econômico.
Perguntas frequentes:
O governo Trump acusa o ministro de censura e perseguição política, mas não apresentou provas.
Cerca de 10 mil empresas brasileiras podem sofrer prejuízos diretos, afetando 3,2 milhões de empregos.
Aplicando a Lei da Reciprocidade Econômica e negociando alternativas antes do dia 31 de julho.



