Livro citado em debate relata salto no patrimônio de Wellington e relembra acusações envolvendo Dnit e Sanguessugas

Fabíola Maria Costa Silva •

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Ilustração: Eh Fonte

Um livro publicado em 2013 voltou ao centro da disputa pelo Governo de Mato Grosso após ser citado pela candidata Natasha Slhessarenko (PSD) durante debate da TV Vila Real. A obra “Os Ben$ que os Políticos Fazem”, do jornalista Chico de Gois, dedica um capítulo ao senador e candidato ao governo Wellington Fagundes (PL) e aborda desde a evolução do patrimônio declarado pelo político até acusações feitas por terceiros envolvendo sua trajetória no Congresso.

A colunista Adriana Mendes, do Eh Fonte, publicou trechos do livro que revela detalhes sobre a trajetória do senador https://ehfonte.com.br/o-que-diz-sobre-wellington-o-livro-citado-por-natascha-em-debate/.

Durante o debate, Natasha questionou Wellington sobre sua presença na publicação. O senador respondeu destacando sua trajetória e negando possuir condenações. “O que me traz tranquilidade é que, durante 34 anos de mandato, não respondi a nenhum processo e nunca fui condenado”, declarou.

Publicado há 13 anos, o livro apresenta perfis de dez políticos que, segundo o autor, registraram elevado crescimento patrimonial. Na época da publicação, Wellington exercia mandato de deputado federal e integrava o PR, partido que posteriormente passou a se chamar PL.

Patrimônio declarado passou de R$ 681 mil para R$ 13,1 milhões

Um dos pontos abordados no capítulo “Verde como marca registrada” é a evolução dos bens declarados por Wellington à Justiça Eleitoral.

Segundo os números apresentados na obra, o parlamentar declarou patrimônio de R$ 681 mil nas eleições de 2006. Quatro anos depois, em 2010, o valor informado chegou a R$ 7,2 milhões.

Na atual campanha eleitoral, Wellington declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 13,1 milhões em patrimônio.

O crescimento dos valores declarados, por si só, não comprova irregularidade. O livro, entretanto, utiliza a evolução patrimonial como ponto de partida para abordar negócios atribuídos à família do político e episódios relacionados à sua atuação pública.

Livro recupera acusações feitas por Luiz Antônio Pagot

A publicação também relembra o confronto entre Wellington e Luiz Antônio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Em entrevista publicada pela revista Época em 2012, Pagot acusou Wellington de pressionar o órgão em favor da construtora Delta em uma discussão envolvendo exigências técnicas na BR-163, na Serra de São Vicente.

Pagot voltou a fazer acusações contra o senador ao comentar sua saída do Dnit.

“Armaram um complô pra me tirar do Dnit: Sandro Mabel, Carlinhos Cachoeira, Wellington Fagundes e Waldemar da Costa Neto, porque não compactuava com as falcatruas deles”, afirmou.

A declaração representa uma acusação de Pagot e não deve ser interpretada como comprovação de participação de Wellington nas irregularidades mencionadas.

Atualmente, Pagot integra a coordenação da campanha de Otaviano Pivetta (Republicanos), adversário de Wellington na disputa pelo Governo de Mato Grosso.

Caso dos Sanguessugas também aparece na publicação

O livro ainda recupera a citação de Wellington nas investigações da chamada Máfia dos Sanguessugas, esquema envolvendo fraudes na aquisição de ambulâncias e equipamentos hospitalares com recursos provenientes de emendas parlamentares.

A publicação também menciona Cinésio de Oliveira, então chefe de gabinete de Wellington e posteriormente secretário estadual. Segundo o relato, Luiz Antônio Vedoin, um dos sócios da Planam, acusou Cinésio de receber propina em nome do então deputado.

Wellington tem afirmado que Cinésio não responde a processo e nunca foi condenado.

O autor do livro também relata ter encaminhado dez perguntas à assessoria de Wellington na época da publicação, envolvendo patrimônio, empresas, declarações de bens e as investigações dos Sanguessugas. Segundo Chico de Gois, os questionamentos não receberam respostas naquele momento.

Procurada novamente pela coluna Eh Fonte em 2026, a assessoria de Wellington não comentou o conteúdo da obra. Já durante o debate eleitoral, o senador ressaltou que nunca foi condenado e utilizou sua trajetória de mais de três décadas de mandatos como argumento de defesa diante do questionamento feito por Natasha.

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