“Limite é o céu”: influenciador explica como funcionam construções na favela; veja vídeo

Perrengue Mato Grosso

Na Rocinha, maior favela do Brasil, os limites da arquitetura ganham uma nova definição. De acordo com o influenciador Ruan Juliet, que viralizou nas redes sociais, o céu deixou de ser o fim. “Se der mole, ainda colocam dois andares depois do céu”, afirmou, enquanto mostrava prédios com até nove pavimentos. A realidade chama atenção não apenas pela criatividade, mas também pelo risco.

Crescer para cima virou regra não exceção

Com o espaço físico cada vez mais escasso, os moradores encontraram na verticalização uma solução imediata. Em vez de expandirem suas casas para os lados, optam por empilhar cômodos. Dessa forma, conseguem abrigar mais familiares e até gerar renda com aluguel de andares superiores. Segundo o IBGE, mais de um terço das moradias em favelas são autoconstruídas, ou seja, erguidas sem apoio técnico especializado.

Fé, improviso e laje: a mistura que sustenta os andares

Apesar da precariedade, muitos acreditam que a proximidade entre as construções oferece segurança. Conforme explicou Ruan, “aqui é laje com laje, parede com parede”. No entanto, engenheiros e especialistas alertam: construções acima de três andares exigem projeto estrutural, laudo técnico e aprovação legal. Caso contrário, o risco de desabamento aumenta. Um exemplo trágico ocorreu em Paraisópolis, em 2022, quando um imóvel colapsou e causou mortes.

A ausência do Estado empurra o improviso para o topo

Em tese, o poder público deveria fiscalizar e oferecer alternativas seguras de habitação. No entanto, na prática, o abandono se reflete na paisagem. À medida que os prédios crescem, também cresce o silêncio do Estado. Enquanto isso, a fé dos moradores sustenta estruturas que, muitas vezes, ignoram normas técnicas. Por isso, a Rocinha se transforma em um símbolo da resistência urbana — mas também da negligência institucional.

Perguntas frequentes

Subir tantos andares sem engenheiro é permitido por lei?

Não. A legislação exige aprovação e acompanhamento técnico para construções acima de três pavimentos.

Qual é o maior prédio informal já registrado em uma favela?

Alguns imóveis na Rocinha e em Paraisópolis chegam a ter até 11 andares, segundo reportagens da imprensa.

Por que a prefeitura não intervém nessas obras?

Geralmente, por falta de estrutura, medo de conflito e pela complexidade política que envolve áreas irregulares.

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