Lei de Crimes Ambientais fica para trás e reacende debate sobre o crime de ecocídio no Brasil; veja vídeo

Perrengue Mato Grosso

O Brasil enfrenta um impasse entre possuir uma das legislações ambientais mais completas do mundo e, ao mesmo tempo, ver essa estrutura se tornar insuficiente diante da crise climática e da devastação em curso. Durante uma reunião da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPOVOS), o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP) afirmou que a Lei de Crimes Ambientais já não dá conta dos casos atuais e que o país precisa modernizar sua forma de punir grandes destruições ambientais.

A discussão ocorreu no contexto do Projeto de Lei 2933/23, que propõe tipificar o crime de ecocídio, e da votação dos vetos presidenciais ao chamado “PL da Devastação”. A audiência, que contou com a presença da deputada Célia Xakriabá (MG), expôs o conflito entre o avanço das pautas ambientais e a força política da bancada ruralista no Congresso Nacional.

A lei que parou no tempo

Criada em 1998, a Lei de Crimes Ambientais foi considerada um marco global. No entanto, passados mais de 25 anos, novas ameaças ambientais surgiram, e a legislação atual se mostra insuficiente para lidar com crimes em grande escala, como desmatamento em massa, queimadas ilegais e contaminação de rios.

Esses crimes, muitas vezes, envolvem grandes corporações ou decisões de gestores públicos e acabam recebendo punições brandas. Por isso, parlamentares e ambientalistas defendem a criação do crime de ecocídio, que prevê punições mais severas para quem causa danos graves e duradouros ao meio ambiente.

Um embate de forças políticas

Durante a audiência, Ivan Valente destacou a dificuldade de aprovar medidas ambientais diante de uma correlação de forças desfavorável. Segundo ele, a bancada ruralista domina o Congresso com ampla maioria, o que torna improvável a aprovação de projetos que ampliem punições ambientais.

A chamada “PL da Devastação”, alvo de vetos presidenciais, é vista por movimentos ambientais como um retrocesso. A medida provisória enviada pelo governo tenta corrigir pontos críticos, mas enfrenta resistência de setores ligados ao agronegócio. O embate simboliza a disputa entre interesses econômicos e a necessidade de preservação ambiental.

O que está em jogo

Para especialistas, discutir o ecocídio é discutir o futuro da Amazônia e das próximas gerações. O conceito vai além do crime comum: ele reconhece a destruição ambiental como uma ameaça à sobrevivência coletiva. Caso aprovado, o novo tipo penal poderia responsabilizar desde empresários até autoridades públicas que permitam danos graves à natureza.

Enquanto isso, cresce a pressão de organizações sociais e indígenas para que o Congresso avance em leis mais rígidas. A sensação é de urgência — de que o tempo para reagir está se esgotando.

Perguntas e respostas

O que é o crime de ecocídio?

É a proposta de criminalizar ações que causem danos graves, generalizados e duradouros ao meio ambiente.

Por que a Lei de Crimes Ambientais é considerada insuficiente?

Porque não contempla crimes de grande escala e aplica penas brandas a responsáveis por destruições ambientais massivas.

Qual o principal obstáculo para aprovar o novo projeto?

A resistência da bancada ruralista, que possui maioria no Congresso e defende interesses econômicos ligados ao agronegócio.

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