Um polêmico projeto de lei apresentado pelo vereador Rafael Ranalli (PL) em Cuiabá está gerando debates acalorados. A proposta pretende proibir licenças para eventos privados que façam “apologia ao crime organizado”, mas a falta de critérios claros levanta uma questão explosiva: eventos em apoio a Jair Bolsonaro, recentemente declarado réu por organização criminosa pelo STF, poderiam ser banidos da capital mato-grossense?

O fantasma da censura política
O timing do projeto é no mínimo curioso. Apenas semanas após o STF aceitar a denúncia contra Bolsonaro por organização criminosa armada, o vereador propõe uma lei que poderia, teoricamente, impedir comícios e manifestações de apoio ao ex-presidente. A questão central é: onde termina o combate ao crime e começa a perseguição política?
O dilema jurídico
O projeto não estabelece quem definiria o que constitui “apologia ao crime”. Se aprovado, caberia à prefeitura decidir se um ato em defesa de Bolsonaro – agora formalmente acusado de liderar uma organização criminosa – poderia ocorrer. A ausência de parâmetros objetivos transforma a proposta em uma verdadeira caixa de Pandora jurídica.
O precedente perigoso
Enquanto o autor do projeto afirma que o objetivo é combater a glamourização do crime, opositores veem um risco claro à liberdade de expressão. Se autoridades barrarem eventos bolsonaristas com base em acusações judiciais, quem será o próximo alvo? Artistas? Movimentos sociais? A discussão revela o delicado equilíbrio entre segurança pública e direitos democráticos, especialmente em um momento de forte polarização política.
Perguntas que Todos Estão Fazendo:
- A prefeitura de Cuiabá poderia proibir um comício bolsonarista?
Tecnicamente sim, caso a prefeitura interprete que o evento faz apologia a uma organização criminosa reconhecida pelo STF. - A lei pode ser usada contra outros grupos políticos?
Juristas afirmam que sim, criando um precedente perigoso para qualquer movimento associado a investigações criminais. - Há risco da lei ser barrada pelo Judiciário?
Muito provável, já que a falta de critérios objetivos pode ferir princípios constitucionais de liberdade de expressão e reunião.









