Justiça nega novo pedido de Tifanny Abreu e mantém jogadora fora da Superliga Feminina de Vôlei

Fabíola Maria Costa Silva •

A jogadora Tifanny Abreu sofreu uma nova derrota judicial nesta sexta-feira (6) e continua impedida de disputar a Superliga Feminina de Vôlei. A 14ª Vara Cível da Comarca da Capital do Rio de Janeiro rejeitou outro pedido de liminar apresentado pela atleta, que tenta reverter as restrições estabelecidas pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). A decisão mantém os efeitos do entendimento do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do Voleibol e representa o terceiro resultado consecutivo favorável à confederação na disputa judicial.

Justiça rejeita argumentos apresentados pela defesa de Tifanny

Ao analisar o pedido, a magistrada entendeu que a discordância da atleta em relação à decisão da Justiça Desportiva não justifica, isoladamente, a suspensão de seus efeitos.

“A mera discordância da parte autora quanto ao resultado do julgamento proferido pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, no Mandado de Garantia nº 002/2026, não constitui, por si só, fundamento suficiente para justificar a suspensão de seus efeitos”, registrou.

A defesa de Tifanny argumentou que a mudança nas regras de elegibilidade comprometeu direitos anteriormente reconhecidos à jogadora.

Os advogados também questionaram a ausência de um período de transição e o uso do marcador genético SRY como critério de participação.

Defesa questiona regras e imparcialidade do julgamento

Os representantes da atleta sustentaram que o processo apresentou problemas relacionados à segurança jurídica, à confiança legítima e ao exercício profissional.

Além disso, contestaram a fundamentação da decisão desportiva e levantaram dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento.

A defesa argumenta que os órgãos responsáveis não analisaram adequadamente os principais fundamentos jurídicos apresentados pela jogadora.

Entretanto, a Justiça não identificou, nesta análise preliminar, elementos suficientes para conceder a nova liminar.

CBV defende aplicação das regras de elegibilidade

Em agosto, a Confederação Brasileira de Voleibol estabeleceu critérios que restringem a participação nas competições femininas nacionais a atletas que atendam à sua política de elegibilidade.

A entidade justificou a mudança com base em diretrizes técnicas do movimento olímpico, embora as organizações internacionais citadas não exijam obrigatoriamente a adoção dos mesmos parâmetros.

Em nota, a CBV reafirmou seu compromisso com o cumprimento das decisões judiciais e desportivas.

A confederação também declarou que sua política constitui uma norma geral e que aplica os critérios igualmente a todas as atletas.

Tifanny chegou a disputar partidas antes de nova suspensão

A disputa judicial já havia permitido que Tifanny retornasse temporariamente às quadras.

Após uma decisão favorável do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a ponteira participou da Supercopa contra o Praia Clube e da estreia do Osasco na Superliga diante de Brasília.

Entretanto, o STJD manteve a restrição estabelecida pela CBV, e a Justiça posteriormente derrubou a liminar que autorizava sua participação.

Com a nova decisão desta sexta-feira, Tifanny permanece fora das competições femininas nacionais organizadas pela confederação.

A disputa envolve a interpretação das regras de elegibilidade esportiva e os direitos profissionais da atleta. A decisão sobre a liminar não encerra necessariamente a análise definitiva da ação judicial.

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