Justiça leva a julgamento o caseiro acusado de matar o advogado Renato Nery após dois anos em Cuiabá

Perrengue Mato Grosso

O assassinato do advogado Renato Gomes Nery, um dos nomes mais conhecidos da advocacia mato-grossense, completa mais de dois anos cercado por investigações, denúncias e desdobramentos judiciais. Agora, o caso entra em uma nova etapa com o início dos julgamentos dos acusados pela execução do crime. O primeiro réu a sentar no banco dos réus será o caseiro Alex Roberto de Queiroz Silva, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o autor dos disparos que mataram o advogado. O julgamento está marcado para quarta-feira (15), às 9h, no Fórum de Cuiabá.

Advogado morreu após ataque em frente ao escritório

Renato Gomes Nery, de 72 anos, chegou ao escritório, na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá, na manhã de 5 de julho de 2024, quando um homem armado se aproximou e efetuou vários disparos. Equipes de resgate atenderam o advogado e o levaram para uma unidade de saúde, mas ele não resistiu aos ferimentos.

A morte provocou grande repercussão em Mato Grosso. Renato Nery construiu uma carreira de mais de 40 anos na advocacia, presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) e atuou em processos de grande relevância, principalmente nas áreas patrimonial e fundiária.

Polícia Civil identificou planejamento do homicídio

A Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) conduziu as investigações e concluiu que os envolvidos planejaram o assassinato. Segundo a Polícia Civil, o crime teve relação com uma disputa judicial envolvendo terras no município de Novo São Joaquim.

Durante a investigação, os policiais identificaram uma estrutura organizada, na qual cada integrante desempenhou uma função específica. O grupo, conforme o inquérito, reuniu mandantes, intermediários e executores para colocar o plano em prática.

Em seguida, a Polícia Civil deflagrou novas fases da Operação Office Crimes, cumpriu mandados de prisão e ampliou as investigações. As equipes prenderam policiais militares suspeitos de participar da execução e de tentar dificultar o esclarecimento do homicídio.

Ministério Público denunciou os investigados

Após concluir parte do inquérito, a Polícia Civil encaminhou o procedimento ao Ministério Público de Mato Grosso. O órgão apresentou denúncia contra os investigados e sustentou que eles integraram uma organização criminosa estruturada para planejar, financiar, executar e ocultar provas relacionadas ao assassinato.

A Justiça recebeu a denúncia e transformou os investigados em réus. Em 2026, o processo avançou para a fase do Tribunal do Júri. Além disso, a Justiça manteve a prisão preventiva de um dos policiais militares denunciados por entender que não surgiram fatos novos capazes de justificar sua liberdade.

Primeiro julgamento começa nesta quarta-feira

O Tribunal do Júri iniciará os julgamentos pelo acusado apontado como executor dos disparos. Alex Roberto de Queiroz Silva responderá perante os jurados pelas acusações relacionadas ao homicídio.

Durante a sessão, o juiz ouvirá cinco testemunhas. Os delegados Bruno Sérgio Magalhães Abreu e Caio Fernando Alvares de Albuquerque prestarão depoimento sobre as investigações. O escrivão Davi Padilha Nogueira também falará no julgamento. Além deles, Lívia Moreira Gomes Nery, filha da vítima, e Kaster Huttner Garcia prestarão depoimento.

A decisão dos jurados poderá representar o primeiro desfecho judicial de um caso que chamou a atenção de todo o Estado.

Acusados respondem por funções diferentes

Segundo a denúncia, César Jorge Sechi e Julinere Goulart Bastos responderão como apontados mandantes do assassinato.

Alex Roberto de Queiroz Silva responderá como executor dos disparos.

O sargento Heron Teixeira Pena Vieira responderá como intermediador. Segundo a investigação, ele recebeu dinheiro, a arma utilizada no crime e contratou o executor.

Ícaro Nathan Santos Ferreira responderá por fornecer a arma e facilitar a transferência do pagamento.

Jackson Pereira Barbosa responderá por coordenar parte da execução e realizar pagamentos.

Já Wailson Alessandro Medeiros Ramos, Wekcerlley Benevides de Oliveira, Leandro Cardoso e Jorge Rodrigo Martins responderão às acusações de participação na suposta tentativa de forjar um confronto envolvendo a arma usada no homicídio.

Todos os réus respondem ao processo com direito ao contraditório e à ampla defesa.

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