Justiça condena Volkswagen a pagar R$ 2 milhões a trabalhadores submetidos a trabalho escravo; Veja vídeo

Perrengue Mato Grosso

Uma condenação milionária foi determinada pela Justiça.

Três trabalhadores rurais foram beneficiados pela decisão.

O caso envolve denúncias da década de 1980.

Uma condenação contra a Volkswagen do Brasil foi determinada pela Justiça do Trabalho nesta quinta-feira (11). O pagamento de R$ 2 milhões foi fixado em favor de três trabalhadores rurais que alegaram ter sido submetidos a condições análogas à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino, conhecida como Fazenda Volkswagen, localizada em Santana do Araguaia, no Pará.

Pela decisão, uma indenização de R$ 1 milhão por danos morais e outra de R$ 1 milhão por dano existencial deverão ser recebidas por cada trabalhador. A possibilidade de recurso ainda foi mantida para a empresa.

Relatos apontaram servidão por dívida

Nas ações judiciais, os trabalhadores afirmaram que promessas de bons salários foram apresentadas durante o recrutamento para o trabalho na fazenda.

Segundo os processos, uma realidade diferente foi encontrada após a chegada ao local. Um sistema de servidão por dívida teria sido imposto aos trabalhadores, de acordo com os relatos apresentados à Justiça.

A saída da propriedade teria sido dificultada pelo acúmulo constante de débitos.

Cobranças abusivas foram denunciadas

De acordo com as informações presentes nos processos, compras de alimentos, roupas de trabalho e ferramentas precisavam ser realizadas pelos trabalhadores dentro do próprio sistema mantido na fazenda.

Ainda segundo os relatos, valores considerados abusivos eram cobrados pelos produtos. Como consequência, dívidas sucessivas eram acumuladas pelos trabalhadores.

A permanência no local acabava sendo prolongada justamente pela impossibilidade de quitação dos débitos registrados.

Empresa não comentou o mérito da ação

Após a divulgação da decisão judicial, um posicionamento foi solicitado à Volkswagen do Brasil. Em resposta, a montadora informou que não comentará discussões judiciais que ainda estão em andamento.

Além disso, o compromisso da empresa com o respeito às leis e aos direitos humanos foi reiterado em manifestação encaminhada à imprensa.

O caso envolve fatos ocorridos na década de 1980 e voltou a ganhar destaque após a nova decisão da Justiça do Trabalho. Enquanto o processo segue em tramitação, a possibilidade de contestação da sentença permanece aberta por meio de recurso nas instâncias competentes.

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