Quatro povos indígenas interromperam a rotina de Brasnorte nesta quinta-feira (4), às 13h, ao se concentrarem em frente ao Fórum local. Representantes dos povos Enawenê Nawê, Rikbatsa, Myky e Manoki organizaram uma manifestação pacífica e direta para exigir respeito ao voto indígena e denunciar a decisão da Justiça Eleitoral que cassou os mandatos do prefeito Edelo Marcelo Ferrari (União), da vice Roseli Borges (União) e do vereador Gilmar da Obra (União).
Os manifestantes rejeitaram qualquer acusação de compra de votos. “Indígena não vende voto!”, repetiram em voz firme. Eles afirmaram que escolheram seus candidatos de forma consciente e exigiram que as autoridades reconheçam sua capacidade política. “Nós pensamos, nós temos ideia, nós votamos com consciência!”, declarou uma liderança durante o ato.
Indígenas criticam juiz e promotora
Os povos indígenas acusaram o juiz Romeu da Cunha Gomes de ignorar seus depoimentos durante a audiência. Segundo eles, o magistrado não ouviu os relatos e desprezou o posicionamento das comunidades. Também apontaram a promotora Roberta por supostamente rir dos indígenas e pressionar lideranças a mentirem no processo.
“Eles não respeitam nossa palavra. A promotora riu da nossa cara. O juiz fingiu que escutou. Isso não é justiça, é desrespeito!”, afirmou um representante do povo Rikbatsa.
Justiça cassou mandatos por suposto abuso de poder
O juiz Romeu Gomes assinou a sentença que cassou os mandatos de Edelo, Roseli e Gilmar. A decisão apontou que um servidor comissionado, Rogério Gonçalves — subordinado direto do prefeito —, liderou um esquema de compra de votos, especialmente entre eleitores indígenas. Segundo a Justiça, ele organizou transporte irregular, distribuiu combustíveis, dinheiro e até frangos congelados nas aldeias, beneficiando a chapa eleita.
A sentença afirmou que, embora não existam provas diretas da participação do prefeito e da vice, os dois se beneficiaram do esquema. O número de votos indígenas (96) influenciou no resultado final da eleição, decidida por apenas 155 votos de diferença.
Indígenas defendem Edelo e Gilmar
Durante o protesto, os manifestantes expressaram apoio irrestrito ao prefeito Edelo Ferrari. “Ele é nosso cacique branco, sempre ajudou os povos indígenas. Ganhou a eleição com nosso apoio, sem comprar voto!”, afirmou uma liderança do povo Manoki.
Os indígenas exigem que a Justiça reconheça a validade dos votos indígenas e garanta sua participação plena nas novas eleições. Eles afirmaram que continuarão mobilizados até que a democracia respeite todas as vozes.
Perguntas frequentes
Sim. Indígenas são cidadãos brasileiros e têm direito ao voto como qualquer outro eleitor.
A Justiça Eleitoral cassou o mandato dele por abuso de poder econômico nas eleições de 2024.
Não. Os povos indígenas afirmaram em protesto que votam com consciência e não aceitam compra de votos.
