A segunda prévia do IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado), divulgada nesta terça-feira (20) pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), apontou uma queda de 0,32%. O resultado interrompe a tendência de crescimento registrada no decêndio anterior, quando o indicador havia avançado 0,18%. A principal responsável pela retração foi a intensificação da queda no IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que passou de -0,21% para -0,59%.
O comportamento dos preços ao produtor indica um arrefecimento nas pressões inflacionárias na cadeia de produção, o que pode refletir em desaceleração no custo final de bens industriais e agrícolas. Essa dinâmica reforça um cenário de oscilação de preços, que afeta diretamente decisões de investimento, planejamento logístico e estratégias de formação de preço no varejo e atacado.
Pressão no atacado alivia, mas consumo e construção mantêm ritmo
Apesar da desaceleração no IPA-M, os índices que medem o comportamento dos preços ao consumidor e os custos da construção civil continuam em alta. O IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor), que representa 30% do IGP-M, cresceu de 0,28% para 0,38% nesta leitura. Já o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção), com peso de 10% no indicador geral, subiu 0,33%, embora em ritmo menor do que os 0,54% registrados na mesma prévia de abril.

Esses movimentos sugerem que, mesmo com a queda nos preços ao produtor, o repasse ao consumidor final ainda não foi suficiente para alterar a trajetória de crescimento no varejo e na construção civil. A persistência de custos elevados nesses segmentos pode manter a inflação sob pressão nos próximos meses, principalmente em setores ligados à alimentação, habitação e infraestrutura.
Acumulado do ano e perspectivas econômicas
Em 2025, o IGP-M já acumula alta de 1,23%, puxada especialmente pela forte elevação registrada em abril, que foi de 0,24%. No acumulado de 12 meses, o índice aponta alta de 8,50%, refletindo o impacto das variações nos preços de insumos, matérias-primas e energia desde o ano passado.
Para o mercado, o recuo registrado nesta segunda prévia de maio não muda substancialmente as projeções inflacionárias, mas reforça a importância de monitorar os movimentos nos setores produtivos. O IGP-M é amplamente utilizado como referência para contratos de aluguel, tarifas públicas e ajustes em planos de saúde, o que torna sua oscilação relevante para consumidores, empresários e formuladores de políticas públicas.
Perguntas e respostas sobre o IGP-M
Principalmente devido à queda mais intensa nos preços ao produtor (IPA-M).
Pode indicar menor pressão inflacionária na produção, mas ainda sem impacto direto no consumo.
Não. O IPC-M segue em alta, mostrando que os custos finais ainda pressionam o orçamento das famílias.



