Na manhã desta quinta-feira (7), garis de Cuiabá realizaram um protesto denunciando atrasos recorrentes nos salários. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, os trabalhadores, que atuam na limpeza urbana através da empresa terceirizada Locar Saneamento Ambiental, expressaram sua insatisfação com os atrasos e pediram ao prefeito eleito, Abílio Brunini (PL), que, ao assumir o cargo, encerre o contrato com a empresa responsável pela coleta de resíduos na cidade.
Garis protestam em Cuiabá e cobram salários atrasados da Locar pic.twitter.com/0Df7Zi1iVJ
— perrenguematogrosso (@perrenguemt) November 7, 2024
Garis cobram solução e pedem ação do novo prefeito
Durante a manifestação, realizada no pátio da empresa Locar Saneamento Ambiental, dezenas de garis relataram os atrasos salariais e expuseram suas reivindicações. Em um dos vídeos, um dos trabalhadores dirigiu-se diretamente ao prefeito eleito, afirmando: “Abílio, a Locar não paga funcionário. Não pode continuar em Cuiabá”. Dessa forma, eles buscam pressionar o novo prefeito a resolver a situação e evitar que problemas semelhantes ocorram no futuro.
Esse apelo ocorre justamente durante o período de transição administrativa, e Abílio Brunini, que assumirá o cargo em janeiro de 2025, já enfrenta pressão para encontrar uma solução para os garis e avaliar a continuidade do contrato da prefeitura com a Locar.
Locar nega atrasos e critica protesto dos garis
A Locar Saneamento Ambiental respondeu à manifestação com uma nota, afirmando que não houve atrasos salariais e classificando o protesto como “ilegal e irresponsável.” A empresa declarou que acionará o Ministério do Trabalho para que sejam tomadas providências e lembrou que uma decisão judicial já impede o sindicato Sinsilimp-MT de promover greves enquanto o Ministério media o dissídio coletivo da categoria.
Dessa forma, a Locar defendeu que vem cumprindo com os prazos de pagamento e que a manifestação dos trabalhadores não possui respaldo legal. No entanto, os garis reforçam suas reclamações, alegando que os atrasos são frequentes e evidenciando uma grande insatisfação com a gestão da empresa.
Limpurb garante continuidade dos serviços de limpeza
A Limpurb garantiu que a coleta de lixo em Cuiabá continua normalmente, apesar do protesto dos garis. No comunicado, a Limpurb enfatizou que, embora a Locar seja uma empresa privada, exige que ela cumpra as condições contratuais para evitar prejuízos ao serviço. Assim, a Limpurb mantém a fiscalização para assegurar que não ocorram interrupções na coleta.
Além disso, a Limpurb informou que o pagamento dos garis municipais ocorrerá ainda nesta quinta-feira, respeitando o prazo de até o quinto dia útil do mês. A nota ressaltou que o problema de pagamento se refere apenas à empresa terceirizada Locar e que os garis diretamente contratados pela prefeitura não enfrentam os mesmos atrasos, assegurando à população a continuidade dos serviços de limpeza.
Histórico de paralisações e greves dos garis em Cuiabá
Os protestos recentes são mais um capítulo de uma situação que vem se arrastando há meses. Em julho deste ano, garis de Cuiabá e Várzea Grande paralisaram suas atividades para reivindicar melhores condições de trabalho e regularidade nos pagamentos. Na ocasião, a Locar firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso, comprometendo-se a aplicar um reajuste salarial de 7,7% e elevando o salário dos garis para R$ 3.240,00.
Contudo, apesar desse acordo, os trabalhadores afirmam que os atrasos salariais continuam sendo um problema recorrente, o que tem aumentado a insatisfação e a insegurança entre os garis. Assim, tanto a empresa quanto as autoridades locais agora enfrentam maior pressão para encontrar uma solução definitiva para o problema, principalmente com a chegada de uma nova gestão na prefeitura.
Expectativas dos trabalhadores sobre a nova gestão
Os garis de Cuiabá esperam que Abílio Brunini, ao assumir a prefeitura, tome medidas rigorosas em relação ao contrato com a Locar, priorizando a regularização dos pagamentos e assegurando que os trabalhadores recebam seus salários em dia. Com essa expectativa, os trabalhadores desejam que, se necessário, o prefeito eleito substitua a Locar por uma empresa que cumpra com suas obrigações e respeite os direitos dos funcionários.
A situação dos garis revela a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa sobre empresas terceirizadas que prestam serviços essenciais, como a coleta de lixo, para garantir que os direitos dos trabalhadores sejam respeitados. Com a posse de Abílio Brunini se aproximando, a demanda dos garis torna-se um dos principais desafios iniciais que ele deverá enfrentar, colocando a questão dos serviços de limpeza pública entre as prioridades de sua gestão.









