A proibição das apostas esportivas e dos jogos virtuais on-line anunciada pelo governo federal nesta sexta-feira (25) atinge diretamente a estrutura comercial de grande parte dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. Dos 20 participantes da competição, 14 mantêm patrocínios de casas de apostas, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles. A medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva altera um mercado que, até então, operava sob regulamentação federal e exigia autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
Maioria dos clubes mantém acordo com bets
Entre os times que possuem patrocínio do setor aparecem Vitória, Palmeiras, Vasco, Santos, Flamengo, São Paulo, Fluminense, Atlético-MG, Cruzeiro, Corinthians, Botafogo, Remo, Chapecoense e Grêmio. Bahia, Mirassol, Athletico-PR, Bragantino, Internacional e Coritiba aparecem como os seis clubes da Série A sem acordo com empresas desse segmento no levantamento. As marcas ocupam espaços importantes nos uniformes e nas propriedades comerciais das equipes. A mudança, portanto, abre uma discussão sobre contratos em vigor e sobre como os clubes substituirão essas receitas. Até a mudança anunciada nesta sexta, o Ministério da Fazenda mantinha uma relação oficial de empresas autorizadas a explorar apostas de quota fixa no país.
Clubes calculam impacto financeiro
Dirigentes começaram a calcular os possíveis efeitos da decisão sobre as receitas do futebol. O presidente do Flamengo estimou, em declaração ao Metrópoles, que o ecossistema da modalidade pode perder entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em 2027. O valor representa uma projeção do dirigente, e não uma estimativa oficial do governo. Outros clubes também começaram a se manifestar. O Fluminense, por exemplo, defendeu um período de transição para contratos já firmados e alertou para impactos sobre atividades financiadas pelas receitas comerciais ligadas ao setor.
Mercado passou por regulamentação antes da proibição
As apostas de quota fixa ganharam autorização legal inicialmente pela Lei nº 13.756/2018, enquanto a Lei nº 14.790/2023 regulamentou também os jogos on-line. Desde janeiro de 2025, somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas podiam operar nacionalmente dentro desse modelo. Nas semanas anteriores ao anúncio, o Ministério da Fazenda ainda ampliava ações contra operadores clandestinos. Em 14 de setembro, uma nova portaria fortaleceu mecanismos para identificar e interromper movimentações financeiras relacionadas a apostas irregulares. Com a nova medida, clubes e empresas agora discutem os efeitos sobre contratos, patrocínios e planejamento financeiro das próximas temporadas.
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