Federação defende atuação de sargento na Casa Militar e critica pressão de oficiais em MT

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta, nomeou a Sargento Adriana Rodrigues para a Casa Militar e provocou reação imediata de entidades de oficiais. A FENEME e a ASSOF contestaram o ato, enquanto a Federação Nacional de Praças (ANASPRA) defendeu a legalidade e denunciou tentativa de exclusão de praças em cargos estratégicos.

A ANASPRA afirmou que a função de assessora militar possui natureza política e administrativa. O cargo exige confiança e capacidade técnica, não comando operacional. A entidade destacou que a Constituição Federal não restringe esse tipo de função a oficiais e reforçou que o governador exerceu sua prerrogativa legal ao nomear.

O caso ganhou repercussão em Mato Grosso e ampliou o debate sobre igualdade dentro das corporações militares. Especialistas indicam que a decisão pode abrir precedentes para ampliar o acesso de praças a funções de alto nível na administração pública.

Constituição sustenta nomeação e enfraquece tese de ilegalidade

A ANASPRA baseou sua defesa no artigo 37 da Constituição Federal, que regula a administração pública e não impõe restrições por patente em cargos de assessoramento. A entidade rejeitou o uso dos princípios de hierarquia e disciplina como justificativa para impedir a nomeação.

Esses princípios organizam a estrutura operacional das forças militares. Eles não limitam funções administrativas ligadas ao Poder Executivo. Juristas reforçam que cargos de confiança seguem critérios políticos e técnicos, definidos diretamente pelo chefe do Executivo.

Exemplos recentes fortalecem esse entendimento. Em Santa Catarina, uma cabo assumiu a vice-governadoria. Em São Paulo, um capitão comandou a Secretaria de Segurança Pública. Esses casos demonstram que o sistema permite mobilidade funcional sem violar a legalidade.

Entidades travam disputa interna e ampliam tensão institucional

A ANASPRA acusou entidades de oficiais de defender interesses corporativistas. Segundo a federação, essas organizações tentam manter privilégios históricos e restringir o acesso de praças a posições estratégicas. A entidade classificou a reação como excludente.

Por outro lado, representantes de oficiais defenderam a manutenção da hierarquia como base da organização militar. Eles argumentaram que a ocupação de cargos por praças pode gerar conflitos internos e comprometer a estrutura institucional.

Uma praça pode assumir cargo de confiança no governo?

Sim. A Constituição permite nomeações para cargos de assessoramento com base em confiança e competência, sem exigir patente específica.

Hierarquia militar impede atuação em funções administrativas?

Não. A hierarquia se aplica ao comando operacional. Funções administrativas seguem regras da gestão pública.

Nomeação política pode ser considerada ilegal?

Só se violar princípios como legalidade e impessoalidade. Caso contrário, o gestor pode nomear livremente cargos de confiança.

Mhylenna

Curtiu? Compartilhe

Ajuda a espalhar a notícia — manda no grupo.

Continue lendo