Família de Maguila doa cérebro do ex-pugilista para pesquisa sobre doença neurodegenerativa; veja vídeo

Perrengue Mato Grosso

A família de José Adilson Rodrigues dos Santos, conhecido como Maguila, doou o cérebro do ex-pugilista para estudos sobre Encefalopatia Traumática Crônica (ETC) na Faculdade de Medicina da USP. Maguila, que faleceu aos 66 anos, viveu com ETC por 18 anos, uma doença neurodegenerativa que afeta atletas expostos a impactos frequentes na cabeça. Comumente chamada de “demência do pugilista”, a ETC leva à perda de memória, alterações de humor e outros sinais de deterioração cognitiva.

USP se destaca com pesquisas sobre ETC

A USP mantém o único banco de cérebros da América Latina, o que permite avanços cruciais nas pesquisas sobre doenças neurológicas e o impacto dos traumas esportivos. O neurologista Renato Anghinah, que acompanhou Maguila, ressaltou a relevância dessas doações para o progresso científico. Ele explicou que o cérebro de Maguila será um recurso fundamental para os estudos sobre a ETC, ampliando o entendimento sobre a doença e promovendo novas descobertas. Entre outros cérebros doados ao banco estão os de ícones do esporte, como Éder Jofre, ex-pugilista, e Bellini, ex-capitão da Seleção Brasileira de Futebol.

Essas pesquisas têm como objetivo desenvolver diagnósticos precoces e métodos de prevenção, que são fundamentais para proteger a saúde de atletas em atividade. Dessa maneira, a doação de Maguila fortalece a pesquisa científica brasileira, ao mesmo tempo em que aproxima o país dos avanços internacionais em neurologia. Com isso, o gesto também contribui para consolidar o papel da medicina esportiva nacional, promovendo um entendimento mais profundo sobre as necessidades de segurança dos esportistas.

Trajetória de Maguila e impacto duradouro de sua doação

Maguila, considerado uma lenda do boxe brasileiro, conquistou muitas vitórias e enfrentou adversários renomados, como George Foreman e Evander Holyfield. Após sua aposentadoria em 2000, ele começou a apresentar sintomas neurológicos e recebeu o diagnóstico de ETC em 2013. Em 2018, Maguila tomou a decisão de doar seu cérebro para a ciência, visando contribuir para o combate à doença que o afetou.

Sobretudo, a doação de Maguila representa um marco essencial na medicina esportiva. Seu gesto não apenas fortalece as pesquisas sobre a degeneração cerebral, mas também abre caminhos para desenvolver protocolos de prevenção e diagnóstico precoce da ETC. Com esses estudos, médicos e treinadores poderão identificar sinais da doença em atletas em atividade, possibilitando intervenções preventivas mais seguras e eficazes.

Por fim, esse gesto também chama atenção para os riscos dos esportes de contato e poderá inspirar outras famílias a apoiar a ciência. O legado de Maguila promove a segurança dos atletas e consolida uma nova fase para a medicina esportiva brasileira.

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