A discussão sobre o novo Plano Nacional de Educação (PNE) gerou um dos debates mais intensos da Câmara dos Deputados. Durante a reunião da Comissão Especial, a deputada Célia Xakriabá (Psol-RJ) respondeu a uma fala de Hélio Lopes (PL-RJ), que rejeitou a inclusão do tema “racismo” no plano educacional que guiará os próximos dez anos da política pública no Brasil. O embate trouxe à tona divergências profundas sobre identidade, reparação histórica e o papel da escola na formação crítica da sociedade.
Conflito inicia após fala contra educação antirracista
O ponto de tensão surgiu quando Hélio Lopes questionou a presença do antirracismo no PNE. Ele afirmou que não queria que seu filho fosse educado com essa pauta e declarou que o assunto não deveria constar nos objetivos da educação brasileira. A manifestação repercutiu imediatamente entre parlamentares presentes e abriu espaço para contrapontos.
A resposta mais marcante veio de Célia Xakriabá, professora e liderança indígena, que ressaltou que a educação precisa considerar as identidades de quem vive o país. Para ela, negar o tema significa ignorar realidades vividas por milhões de brasileiros. Sua fala reforçou que o ambiente escolar deve acolher e reconhecer todas as trajetórias.
Recontagem da história e reparação ganham centralidade
Durante sua intervenção, Xakriabá destacou que repensar a história é fundamental para a construção de uma educação mais justa. Ela afirmou que a narrativa tradicional sobre a chegada dos portugueses precisa ser revisada, não como posição ideológica, mas como reconhecimento científico e histórico.
A deputada argumentou que compreender a formação do Brasil passa pela valorização de saberes indígenas e negros, que foram apagados por séculos. Ela relembrou que foi professora em escola indígena e defendeu que nenhuma criança deve ter “sua identidade morta” dentro da sala de aula.
Avanços no PNE e consenso em meio a diferenças
Mesmo com posições divergentes na comissão, Célia Xakriabá celebrou a aprovação de emendas que reforçam a educação antirracista. Segundo ela, o diálogo entre parlamentares com religiões, partidos e visões de mundo diferentes mostrou que é possível construir consensos em defesa de políticas públicas mais inclusivas.
A deputada também reforçou que ciência não serve apenas para formar profissionais, mas para transformar consciências. Para isso, afirmou que o país precisa investir de forma consistente em educação, garantindo condições para que professores e estudantes tenham acesso a políticas de qualidade.
Perguntas frequentes:
O que motivou a reação de Célia Xakriabá?
A deputada respondeu a declarações de Hélio Lopes, que rejeitou a inclusão do antirracismo no PNE.
Por que a educação antirracista está no debate do novo PNE?
O tema busca garantir que o sistema educacional respeite identidades e enfrente desigualdades históricas.
Houve avanços no texto do PNE?
Sim. Emendas voltadas à educação antirracista foram incluídas no relatório, segundo a deputada.







