A mais de 14 mil quilômetros da Rússia, viveu em Cuiabá (MT) um homem que afirmava ser ninguém menos que o último herdeiro dos Romanov, a família imperial russa. Conhecido por todos como Aléxis, ele trabalhou como torneiro mecânico e levava uma vida simples, mas carregava uma história digna de cinema: dizia ser Alexei Nikolaevich Romanov, o filho do último czar da Rússia, Nicolau II.
A versão oficial relata que os Romanov foram executados em julho de 1918. No entanto, durante décadas, o paradeiro dos restos mortais de Alexei e da irmã Maria permaneceu um mistério, alimentando teorias de sobrevivência. Foi nesse cenário que o “Czar de Cuiabá” construiu seu legado.
Um russo misterioso no coração de Mato Grosso
Em 1925, um imigrante russo desembarcou no porto do Rio de Janeiro. Ele dizia chamar-se Aléxis, nome semelhante ao do herdeiro oficial, e chegou ao Brasil a bordo do navio “Oriente”. Anos depois, se estabeleceu em Cuiabá, onde casou, montou uma oficina e criou família.
O bisneto, Manoelito Pires da Cunha Júnior, contou ao portal O Livre que a família sempre acreditou na identidade nobre de Aléxis.
— Minha avó, meu pai, todos acreditavam. Ele falava detalhes da história, detalhes do palácio onde morava, disse.
A história ganhou ainda mais força com a suposta visita de Eugene Voronin, identificado como vice-cônsul da Rússia no Brasil. Segundo Manoelito, o diplomata teria reconhecido Alexis como verdadeiro herdeiro e oferecido retorno à Rússia — desde que mantivesse sua identidade em sigilo.
Entre a ciência e o mistério
Em 1996, ano da morte de Alexis, um teste de DNA realizado negou qualquer relação com os Romanov. Mesmo assim, ele reagiu com indignação e acusou uma “conspiração” contra sua herança. Manoelito afirma que outro exame teria revelado que Alexis era filho apenas da czarina Alexandra, e sugere que ela teria engravidado de um general, o que teria sido ocultado por Nicolau II.
Apesar disso, em 2007, a descoberta dos restos mortais de Alexei e Maria desmontou oficialmente qualquer possibilidade de sobrevivência dos dois. A ciência encerrou o caso — mas não a lenda.
Alexis morreu aos 92 anos, após sofrer três atropelamentos ao longo da vida, e faleceu no Pronto Socorro de Cuiabá. Mesmo sem comprovação, deixou uma história que atravessou gerações e ainda hoje instiga curiosos, estudiosos e moradores da capital mato-grossense.
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Perguntas frequentes
Não há comprovação científica. Um teste de DNA realizado em 1996 deu negativo.
Alexis sabia detalhes sobre a corte russa e foi supostamente reconhecido por um diplomata como o verdadeiro herdeiro.
Em 2007, as ossadas dos dois foram oficialmente identificadas, encerrando a principal teoria de sobrevivência.






