Na última quinta-feira (10), o que deveria ser uma simples visita ao Cânion Fortaleza, em Cambará do Sul (RS), transformou-se em uma tragédia. Bianca Bernardom Zanella, de apenas 11 anos, caiu de um penhasco de aproximadamente 70 metros. Natural de Curitiba (PR), ela passeava com a família quando, de forma repentina, correu em direção à borda do cânion. Embora seu pai tenha tentado segurá-la, não conseguiu evitar a queda. Conforme informações dos bombeiros, a menina era diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), o que pode ter contribuído para sua reação impulsiva.
Criança que caiu de cânion no Rio Grande do Sul é encontrada morta por equipe de resgate pic.twitter.com/stUcybVbWp
— O Matogrossense (@o_matogrossense) July 11, 2025
Apesar da beleza natural, o local esconde perigos silenciosos
Ainda que o Cânion Fortaleza seja um dos pontos turísticos mais deslumbrantes do Brasil, ele também apresenta riscos consideráveis. Atualmente, o local carece de infraestrutura básica de segurança. Por exemplo, faltam barreiras de proteção em áreas críticas e sinalizações adequadas nas trilhas. Além disso, a presença de guias treinados para lidar com visitantes com necessidades especiais é praticamente inexistente. Não por acaso, esse não foi o primeiro acidente grave no local e dificilmente será o último se nada mudar.
Resgate envolveu alta tecnologia, mas chegou tarde demais
Logo após o acidente, o Corpo de Bombeiros iniciou uma operação de resgate que envolveu drones com câmeras térmicas e helicópteros. Mesmo com o uso de tecnologia de ponta, as equipes localizaram o corpo de Bianca já sem vida. O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, prestou solidariedade nas redes sociais, destacando a dor irreparável da família. Ainda assim, a comoção geral não deve encobrir o debate necessário: parques turísticos estão preparados para receber todos os públicos?
Brasil ainda negligencia a inclusão em áreas de lazer
De modo geral, o turismo ecológico brasileiro não considera as necessidades de pessoas com deficiência. Embora o país tenha legislações que preveem acessibilidade, a aplicação dessas normas ainda é falha. No caso de visitantes com TEA, por exemplo, poucos espaços contam com suporte especializado. Por conseguinte, famílias enfrentam desafios constantes, inclusive em momentos que deveriam representar lazer e bem-estar. Essa realidade, portanto, precisa de atenção urgente.
Perguntas frequentes
A omissão costuma vir da falta de prioridade e recursos mal aplicados.
A ausência de infraestrutura adequada frequentemente transforma riscos em tragédias.
O caminho passa por políticas públicas eficientes, treinamento de equipes e fiscalização rigorosa.
