Agoniadinha, com as pernas para lá e para cá, essa criança tenta persuadir sua mãe a pegar uma bolacha no armário rente ao chão. Por questão de alguns centímetros, ela não consegue alcançar a prateleira e deduz que vai precisar de ajuda.
Possivelmente ciente de que comer a guloseima não seria uma ação aceita facilmente pela mãe, a pequena já chega com um discurso fofinho para ver se consegue o que quer:
– Mãe, vamos comer uma coisinha?
– Comer o quê?
– Uma coisinha.
– Que coisinha? (pergunta rindo a mãe, já sabendo da estratégia)
É bom ela já fazer algumas mudanças no armazenamento dos alimentos, já já a filha vai conseguir pegar os doces sozinha.
Este episódio simples, porém repleto de significado, ilustra o desenvolvimento cognitivo e emocional de uma criança, à medida que ela tenta usar a comunicação para atingir seus objetivos, mesmo que seja para algo tão trivial quanto uma guloseima.
A troca entre mãe e filha revela uma dinâmica familiar amorosa e educativa. A mãe, entretida pela abordagem “fofinha” da filha, percebe a oportunidade de ensinar sobre limites e escolhas saudáveis, enquanto considera a crescente independência da criança. Este momento também sinaliza para a mãe a necessidade de ajustar a organização da casa, particularmente a altura em que os alimentos são armazenados, para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento de habilidades da filha.
Além de ser uma cena cotidiana, reflete a constante aprendizagem e adaptação necessárias na criação dos filhos, preparando-os para fazer escolhas próprias e lidar com as consequências dessas escolhas. Também destaca a importância da comunicação e da negociação nas relações familiares, elementos cruciais para um desenvolvimento saudável.
Via Metrópoles









