A vereadora Michelly Alencar (União) defendeu abertamente a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o contrato entre a Prefeitura de Cuiabá e a empresa CS Mobi. O contrato, firmado durante a gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), implementou o sistema de estacionamento rotativo na região central da cidade, mas, segundo a parlamentar, não gerou as melhorias prometidas.
CPI para investigar contrato de estacionamento em Cuiabá ganha apoio de vereadores
— perrenguematogrosso (@perrenguemt) January 30, 2025
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“A Prefeitura validou esse contrato, começou a vigorar o estacionamento rotativo e até hoje a gente não viu melhoria no Centro. Ou seja, a população está pagando, o comércio está sentindo e a cidade não está evoluindo”, afirmou Michelly. Ela também reforçou que a população não se oporia a pagar pelo serviço, desde que houvesse retorno em forma de obras e infraestrutura.
Promessas não cumpridas e obras atrasadas
Entre as principais promessas do contrato está a construção do Mercado Municipal Miguel Sutil, na Avenida Isaac Póvoas. No entanto, as obras seguem em ritmo lento. A CS Mobi também deveria realizar uma requalificação do Centro da cidade, mas, segundo a vereadora, até o momento, nada foi entregue.
“Acho que o cidadão não ficaria revoltado se ele pagasse e estivesse vendo como a cidade está evoluindo, melhorando. Mas a gente não vê uma evolução, a gente não vê entrega. O prazo já acabou e vai se estendendo. Com certeza, minha assinatura [para abertura de CPI] vai estar lá”, declarou Michelly.
Irregularidades no contrato e pressão política
O requerimento apresentado pelo vereador Rafael Ranalli (PL) busca esclarecer não apenas o atraso nas obras, mas também outros pontos problemáticos do contrato. Um dos aspectos questionados é a cláusula que obriga a Prefeitura a pagar à CS Mobi a diferença do estacionamento não utilizado pela população. Além disso, a empresa teria obtido um empréstimo no final de 2024 utilizando a Prefeitura como fiadora, sem um parecer da Procuradoria Geral do Município (PGM).
Para que a CPI seja instaurada, o requerimento precisa da assinatura de, pelo menos, um terço dos vereadores. Nos bastidores, seis já se manifestaram favoráveis, e o pedido deve ser analisado já na próxima semana com a retomada das atividades legislativas.
Michelly Alencar encerrou sua declaração destacando os questionamentos feitos desde a assinatura do contrato. “Era um contrato que a gente questionou muito. E desde as primeiras discussões, quando isso chegou à Câmara, eu falei: ‘Isso não está claro, não tem parâmetros pactuados de forma legítima, porque se fosse assim, a gente poderia até pagar”, concluiu.
A construção do Mercado Municipal Miguel Sutil, na Avenida Isaac Póvoas.
Um total de nove vereadores, equivalente a um terço da Câmara Municipal.
A obrigação da Prefeitura de pagar pela diferença de vagas não utilizadas e um empréstimo feito com a Prefeitura como fiadora, sem autorização da PGM.









