Os destinos turísticos populares do Brasil, como Jericoacoara (Ceará), Porto de Galinhas (Pernambuco) e Gramado (Rio Grande do Sul), estão se tornando alvo frequente de vendedores de cotas de participação em quartos de resorts. Essa prática envolve abordagens agressivas e persistentes, muitas vezes resultando em contratos assinados no impulso e em posteriores arrependimentos.
Os vendedores abordam turistas oferecendo vouchers para jantares em restaurantes e promessas de diárias em hotéis, em troca de uma reunião onde explicam as vantagens de comprar uma fração de um apartamento hoteleiro ainda em construção. Esses encontros são estratégicos, pressionando os turistas a assinarem contratos de valores elevados, que variam entre R$ 50 mil e R$ 90 mil.
Durante as reuniões, os vendedores utilizam diversas táticas para convencer os turistas a fechar o negócio rapidamente, deixando pouco tempo para reflexão. Muitos acabam se comprometendo com o contrato e, posteriormente, se arrependem da decisão. No entanto, cancelar o contrato se torna um desafio, pois as empresas frequentemente demoram para responder e impõem multas severas para desistências.
Empresas do setor acumulam milhares de queixas em canais de reclamação de consumidores e ações judiciais devido à dificuldade de rescindir contratos. As abordagens predatórias são uma das principais queixas dos consumidores. Tribunais têm emitido sentenças favoráveis à rescisão desses contratos, refletindo a insatisfação generalizada com essas práticas.
A Gav Resorts, empresa com 15 resorts em construção até 2025, avaliada em R$ 6 bilhões, é uma das mais notórias do ramo. Utilizando o cantor Gusttavo Lima como garoto-propaganda, a empresa oferece frações de 26 avos de apartamentos em construção por valores entre R$ 50 mil e R$ 90 mil.
Em resposta às críticas, o Grupo Gav afirmou, por meio de nota, que desconhece as alegações mencionadas e que opera conforme a legislação vigente, dedicando-se à incorporação imobiliária e venda de imóveis em regime de multipropriedade, conforme a Lei 13.777/18. A empresa enfatizou que não exerce atividades relacionadas a valores mobiliários.
As práticas de venda de cotas em destinos turísticos levantam questões sobre a ética nas abordagens comerciais e a proteção dos consumidores. Com um número crescente de queixas e decisões judiciais favoráveis aos consumidores, é crucial que os turistas fiquem atentos e considerem todas as implicações antes de assinar qualquer contrato.



