Conselho do MPF decide nesta sexta se abre investigação sobre atuação de Gonet no caso Master

Fabíola Maria Costa Silva •
PERRENGUE - OBRAS - INTERNO DE NOTICIAS [ADOPS INS 3040 | CAMP 1048 | PI 91493 | ADOPS-PERRENGUE-3040 | 728x90.gif]

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) analisa nesta sexta-feira (25) se existem elementos suficientes para abrir uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em processos relacionados ao Banco Master. A sessão está prevista para começar às 10h. O procedimento envolve principalmente duas petições em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que contêm relatórios da Polícia Federal com mensagens obtidas no âmbito das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, nas quais aparecem referências interpretadas como relacionadas a Gonet. O procurador-geral nega manter amizade ou proximidade com Vorcaro e sustenta que não existe motivo para se declarar suspeito ou impedido nos casos.

Conselho avaliará possível investigação

Os integrantes do CSMPF deverão decidir se o material reunido até agora justifica a abertura de uma apuração formal sobre a conduta do procurador-geral. Também está em discussão se Gonet deveria declarar suspeição ou impedimento para continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master.

Outro ponto previsto para análise é a eventual designação de um subprocurador-geral da República para examinar possível prática de crime comum atribuída ao chefe da PGR. A análise não significa que o Conselho já tenha concluído pela existência de irregularidade ou responsabilidade de Gonet.

O procedimento ganhou repercussão depois da divulgação de mensagens apreendidas pela Polícia Federal e de uma fotografia em que Gonet aparece em um evento jurídico realizado em Londres, em abril de 2024, que teve patrocínio ligado a Vorcaro.

Gonet nega amizade com Daniel Vorcaro

Em manifestação encaminhada ao relator do procedimento, subprocurador-geral Francisco de Assis Vieira Sanseverino, Gonet negou qualquer relação de amizade com Vorcaro.

“Por questão lógica, já que a especulada suspeição projetaria efeitos sobre a minha atuação nos feitos respectivos, posso afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, afirmou.

Segundo Gonet, seu único encontro presencial com Vorcaro ocorreu no evento público realizado em Londres. O procurador-geral também explicou contatos telefônicos mencionados nos relatórios e afirmou que eles ocorreram antes de ter conhecimento de suspeitas de atividades ilícitas envolvendo o banqueiro.

A PGR ainda argumenta que ter participado de um evento patrocinado por um empresário que posteriormente se tornou investigado não seria, por si só, motivo para caracterizar parcialidade.

Sessão terá regras especiais para imprensa

A reunião será conduzida pelo vice-presidente do Conselho, Nicolao Dino, já que Gonet preside formalmente o CSMPF. Francisco Sanseverino apresentará o caso como relator antes da votação dos demais conselheiros. A composição atual do colegiado consta no próprio portal do Ministério Público Federal.

Profissionais de reportagem poderão acompanhar presencialmente a sessão, mas não poderão entrar no plenário com celulares, notebooks, gravadores ou câmeras. Segundo as regras divulgadas para a reunião, a limitação ocorre também por causa do espaço disponível no auditório.

Enquanto o Conselho avalia a situação de Gonet, a PGR mantém uma equipe específica para os processos relacionados ao Banco Master. Uma portaria publicada em setembro designou os subprocuradores André de Carvalho Ramos e Antonio Edilio Magalhães Teixeira para atuar em colaboração com o procurador-geral e o vice-procurador-geral nos procedimentos judiciais e extrajudiciais do caso.

Curtiu? Compartilhe

Ajuda a espalhar a notícia — manda no grupo.

Institucional