Na última quinta-feira (12), três indígenas Guarani e Kaiowá ficaram feridos após um confronto com a Polícia Militar na área de Tekoha Marangatu, município de Antônio João, Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu quando os indígenas ocuparam a Fazenda Barra, território reivindicado por eles como parte de sua terra ancestral. Durante a ocupação, a polícia interveio com balas de borracha, após relatos de que os indígenas haviam incendiado uma ponte de acesso à propriedade. Os policiais alegaram que os indígenas atacaram com flechas e pedras, e a PM respondeu com tiros não letais.
A ação feriu dois homens e uma mulher, que foram encaminhados para o Hospital Municipal Dr. José Altair de Oliveira. De acordo com o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a comunidade indígena resistiu à ação policial, que, segundo os relatos, utilizou força excessiva.
Decisão judicial autoriza atuação da polícia
Ainda na quinta-feira, a Justiça Federal de Ponta Porã autorizou a polícia estadual a continuar as operações no local, reforçando o contingente com a Força Nacional e o Batalhão de Choque. No entanto, essa decisão judicial gerou críticas de organizações de direitos humanos e entidades indígenas, que apontaram a medida como uma legitimação da violência contra os indígenas.
Conflitos anteriores na região
O território da Fazenda Barra, onde ocorreu o confronto, está sobreposto à Terra Indígena Nhanderu Marangatu, homologada pelo governo federal em 2005. Entretanto, a desocupação dos não-indígenas da área, incluindo nove propriedades particulares, nunca foi totalmente concluída, gerando constantes conflitos. Em 2015, um ataque de fazendeiros com apoio de políticos terminou na morte do líder indígena Simião Vilhalva.
Além dissso, a violência na região destaca a urgência de soluções definitivas para os conflitos de terra. Apesar das homologações de áreas indígenas, a tensão persiste entre os povos originários e fazendeiros que alegam propriedade das terras. Por fim, as organizações que apoiam os indígenas pedem maior intervenção do governo federal e medidas mais eficazes para evitar a escalada da violência.









