Na última quinta-feira (22/08), as polícias Civil e Militar de São Paulo prenderam o comerciante Guozhen Zeng, de 42 anos, por manter 26 cães em condições deploráveis em lojas de bijuterias e presentes no centro da capital paulista. As autoridades flagraram cenas de maus-tratos descritas como “sucursais do inferno” pelo delegado João Blasi, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPCC). Os animais, em sua maioria da raça american bully, viviam em um ambiente insalubre e sofriam agressões constantes.
Cães mantidos em condições desumanas
As investigações da polícia revelaram um cenário de total negligência. As lojas de Zeng mantinham uma imagem limpa, bem iluminada e atraente para os clientes, mas ele tratava os cães nos bastidores de forma brutalmente contrastante com essa fachada. Ele mantinha os 26 animais, incluindo 24 da raça american bully, em ambientes pequenos e precários, sem fornecer cuidados básicos de higiene e alimentação.
Os policiais encontraram os cães vivendo em meio às próprias fezes e sujeira acumulada, sem qualquer estrutura adequada para abrigá-los. O comerciante também agrediu fisicamente os animais, com testemunhas relatando que Zeng frequentemente os golpeava com socos e pontapés, motivado, segundo o delegado Blasi, por “volúpia gratuita de castigar”.
Venda ilegal de cães de raça
Zeng mantinha os cães em suas lojas com o objetivo de vendê-los ilegalmente. Os animais da raça american bully, bastante valorizados no mercado, eram comercializados entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Além dos bullys, a polícia encontrou dois filhotes que o comerciante acreditava serem da raça dachshund, conhecidos como “salsicha”. As investigações indicaram que ele orientava suas funcionárias a não alimentarem os filhotes, com a intenção de deixá-los morrer por inanição.
Uma das funcionárias tentou argumentar com o patrão, oferecendo-se para encontrar adotantes para os filhotes, mas Zeng teria ignorado a sugestão e mantido a ordem de deixá-los morrer.
Prisão e alegações do comerciante
Após a prisão, Guozhen Zeng negou todas as acusações de maus-tratos, alegando que mantinha os cães como “animais de guarda” para suas lojas. No entanto, as evidências reunidas pela polícia, incluindo o estado dos cães e depoimentos de funcionários, apontam o contrário.
O comerciante passou por audiência de custódia e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter sua prisão por tempo indeterminado. O delegado Blasi ressaltou a gravidade dos crimes cometidos por Zeng, destacando o sofrimento gratuito ao qual os animais foram submetidos.
Maus-tratos a animais: crime com punições severas
O caso de Guozhen Zeng chama a atenção para a questão dos maus-tratos a animais, um crime que vem recebendo punições mais rigorosas no Brasil. De acordo com a legislação vigente, a prática de maus-tratos pode levar a pena de até cinco anos de prisão, além de multas. O país tem avançado na proteção animal, e casos como esse mostram a importância de denúncias e do trabalho das autoridades para combater essa prática cruel.
O resgate dos cães em condições de sofrimento reforça a necessidade de conscientização sobre a importância do bem-estar animal. As investigações continuam, e os cães resgatados passarão por avaliações veterinárias para garantir sua recuperação e realocação em lares responsáveis.




